Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Adolescente feminina, 15 anos, chega ao consultório médico com odinofagia, fadiga e febre persistente há cinco dias. Nos últimos dois dias, ela notou piora da fadiga e surgimento de adenomegalias cervicais. No exame físico, aparenta estar doente e cansada, Tax. = 38,5°C, FR = 18irpm e FC = 80bpm. Nota-se aumento e hiperemia das amígdalas associada a presença de exsudato esbranquiçado. Na região cervical, apresenta múltiplos linfonodos na cadeia posterior, variando de 0,5 a 1,5cm de diâmetro, sendo algo dolorosos. O couro cabeludo não tem lesões. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. O baço é palpável 2cm abaixo margem costal esquerda e o fígado não é palpável. Exames laboratoriais: 15.000 leucócitos/mm³ (2% bastões; 25% neutrófilos; 50% de linfócitos, sendo 18% com características atípicas e 5% monócitos); hemoglobina = 13g/dL; hematócrito = 42%; volume corpuscular médio = 84 μm³ ; contagem de plaquetas = 300.000/mm³; alanina aminotransferase = 100U/L (intervalo de referência = 7-56U/L); aspartato aminotransferase = 80U/L (intervalo de referência = 10-40U/L); bilirrubina total = 1,5mg/dL. Com esse quadro, o diagnóstico mais provável para essa paciente é:

Alternativas

  1. A) micobacteriose atípica.
  2. B) infecção pelo vírus Epstein-Barr.
  3. C) doença da arranhadura do gato.
  4. D) leucemia linfocítica aguda.
  5. E) faringite estreptocócica.

Pérola Clínica

Mononucleose (EBV): febre, odinofagia, adenomegalia cervical posterior, esplenomegalia, linfócitos atípicos.

Resumo-Chave

A mononucleose infecciosa, causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), é caracterizada pela tríade de febre, faringite e adenopatia, frequentemente com esplenomegalia e linfocitose atípica no hemograma, além de elevação das transaminases hepáticas.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa é uma doença viral aguda, geralmente benigna e autolimitada, causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus. É comum em adolescentes e adultos jovens, transmitida principalmente pela saliva ('doença do beijo'). Sua importância clínica reside na diferenciação de outras condições e no manejo de suas complicações, sendo um tema frequente em provas de residência. A fisiopatologia envolve a infecção de linfócitos B e células epiteliais da orofaringe. O diagnóstico é baseado na tríade clínica de febre, faringite exsudativa e adenopatia (especialmente cervical posterior), associada a achados laboratoriais como linfocitose atípica no hemograma e testes sorológicos positivos para EBV (anticorpos heterófilos ou específicos). A esplenomegalia é um achado comum e deve ser cuidadosamente avaliada. O tratamento é de suporte, com repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos. Corticosteroides podem ser considerados em casos graves (obstrução de vias aéreas, anemia hemolítica grave). É crucial orientar o paciente sobre o risco de ruptura esplênica, recomendando evitar atividades físicas e esportes de contato por pelo menos 3-4 semanas ou até a resolução da esplenomegalia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da mononucleose infecciosa?

Os principais sintomas incluem febre, odinofagia (dor de garganta) com faringite exsudativa, fadiga intensa e adenomegalias, especialmente na cadeia cervical posterior. Esplenomegalia e hepatomegalia também são comuns.

Quais achados laboratoriais são sugestivos de mononucleose?

O hemograma pode mostrar leucocitose com linfocitose e presença de linfócitos atípicos (geralmente >10%). As transaminases hepáticas (ALT e AST) frequentemente estão elevadas, e a bilirrubina pode estar discretamente aumentada. Testes sorológicos para EBV confirmam o diagnóstico.

Por que a esplenomegalia é uma preocupação na mononucleose?

A esplenomegalia é uma preocupação devido ao risco de ruptura esplênica, que pode ocorrer com trauma abdominal leve. Pacientes com mononucleose devem evitar atividades físicas intensas e esportes de contato por várias semanas até a resolução da esplenomegalia.

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