Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico, Curso e Complicações

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022

Enunciado

Um adolescente de 15 anos procurou o médico com queixas de febre há 10 dias, dor de garganta, astenia e náuseas. Ao exame físico, chamavam a atenção linfonodomegalias cervicais posteriores bilaterais, de consistência elástica, móveis e algo dolorosas. Hemograma mostrava linfocitose com atipia linfocitária. Sobre essa condição clínica, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A doença costuma ter curso benigno e autolimitado, mas complicações graves, como ruptura esplênica, podem acontecer.
  2. B) O tratamento antiviral com aciclovir deve ser iniciado o mais rápido possível, pois reduz o risco das neoplasias associadas à infecção crônica por esse vírus.
  3. C) Como é difícil excluir infecção bacteriana superposta, o paciente deve receber amoxicilina por 7 dias.
  4. D) O principal diagnóstico diferencial deve ser feito com a infecção aguda pelo HIV, devendo, então, ser solicitada a PCR para o HIV na maioria dos casos como este.
  5. E) O tratamento com aciclovir é especialmente útil nos casos em que linfonodomegalias cervicais volumosas oferecem risco de obstrução de vias aéreas.

Pérola Clínica

Mononucleose infecciosa = febre, faringite, linfonodomegalia (cervical posterior) + linfocitose atípica; risco de ruptura esplênica.

Resumo-Chave

A mononucleose infecciosa, causada pelo EBV, é uma doença autolimitada, mas pode ter complicações sérias como a ruptura esplênica, especialmente em atividades físicas. O diagnóstico é clínico-laboratorial, com linfocitose atípica e sorologia.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa, comumente conhecida como "doença do beijo", é uma síndrome clínica causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus. É mais frequente em adolescentes e adultos jovens, caracterizada por febre, faringite, linfonodomegalia (especialmente cervical posterior) e fadiga intensa. Embora geralmente autolimitada, sua importância reside na necessidade de reconhecimento e manejo adequado das complicações. A fisiopatologia envolve a infecção de linfócitos B pelo EBV, levando a uma resposta imune robusta com proliferação de linfócitos T CD8+ atípicos, que são detectados no hemograma. O diagnóstico é clínico, laboratorial (linfocitose atípica, sorologia para EBV) e pode ser complementado pelo teste de Monospot. É crucial suspeitar da condição em pacientes com a tríade clássica de sintomas. O tratamento é de suporte, com repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos. Antibióticos não são indicados, e a amoxicilina deve ser evitada devido ao alto risco de rash cutâneo. A principal complicação grave é a ruptura esplênica, que exige restrição de atividades físicas por várias semanas. Outras complicações incluem obstrução das vias aéreas por linfonodos volumosos e, raramente, complicações neurológicas ou hematológicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da mononucleose infecciosa?

A tríade clássica da mononucleose infecciosa inclui febre, faringite exsudativa e linfonodomegalia, especialmente cervical posterior. Fadiga e astenia são também muito comuns.

Por que a ruptura esplênica é uma preocupação na mononucleose?

A mononucleose pode causar esplenomegalia significativa, tornando o baço mais frágil e suscetível a traumas. Atividades físicas intensas devem ser evitadas para reduzir o risco de ruptura esplênica.

Como o hemograma auxilia no diagnóstico da mononucleose?

O hemograma na mononucleose tipicamente revela linfocitose com a presença de linfócitos atípicos (células de Downey), que são linfócitos T CD8+ ativados em resposta à infecção pelo EBV.

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