Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico e Manejo Clínico

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Um adolescente do sexo feminino, com 14 anos, apresenta- se com diminuição do apetite, aumento de linfonodos cervicais, febre baixa e astenia há 5 dias. Iniciou uso de amoxicilina por apresentar também dor de garganta e discreto exsudato em orofaringe, mas, após 72 horas de uso, não apresentou melhora clínica. Além do mal-estar, apresentou edema palpebral no início do quadro e erupções maculares em tórax e face de aparecimento há cerca de 2 dias.Assinale a melhor conduta.

Alternativas

  1. A) Trocar o antibiótico para cefuroxima por via oral.
  2. B) Suspender a amoxicilina e aplicar uma dose de ceftriaxone.
  3. C) Realizar uma dose de prednisolona por via oral, mantendo a amoxicilina.
  4. D) Suspender o antibiótico e administrar analgésicos sintomáticos e repouso.
  5. E) Manter a amoxicilina e realizar duas doses diárias de hidroxizina por 3 dias.

Pérola Clínica

Suspeita de Mononucleose infecciosa + uso de amoxicilina → rash cutâneo → suspender ATB e suporte sintomático.

Resumo-Chave

O quadro clínico (linfadenopatia, febre, astenia, faringite, edema palpebral) em adolescente, associado ao rash macular após uso de amoxicilina, é altamente sugestivo de mononucleose infecciosa. A amoxicilina é contraindicada e deve ser suspensa, pois o rash é uma reação comum e não alérgica nesse contexto. O tratamento é sintomático.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa, causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV), é uma doença comum em adolescentes e adultos jovens. O quadro clínico típico inclui febre, faringite exsudativa, linfadenopatia cervical (especialmente posterior) e astenia prolongada. Outros sintomas podem incluir hepatoesplenomegalia e edema palpebral. O diagnóstico é primariamente clínico, podendo ser confirmado por testes sorológicos. Um ponto crucial na mononucleose é a reação cutânea que pode ocorrer com o uso de aminopenicilinas, como a amoxicilina. Cerca de 80-90% dos pacientes com mononucleose que recebem amoxicilina desenvolvem um rash maculopapular difuso, que não é uma reação alérgica verdadeira à penicilina, mas sim uma interação medicamentosa-viral. Portanto, a amoxicilina deve ser suspensa imediatamente. O tratamento da mononucleose infecciosa é essencialmente de suporte, focando no alívio dos sintomas. Isso inclui repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos (como paracetamol ou ibuprofeno). Não há tratamento antiviral específico eficaz para a doença. Em casos de esplenomegalia significativa, atividades físicas de contato devem ser evitadas para prevenir ruptura esplênica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da mononucleose infecciosa em adolescentes?

Os sintomas clássicos incluem febre, faringite exsudativa, linfadenopatia cervical (especialmente posterior), astenia prolongada, e ocasionalmente hepatoesplenomegalia e edema palpebral. O rash cutâneo pode surgir com uso de aminopenicilinas.

Por que a amoxicilina causa rash em pacientes com mononucleose?

Cerca de 80-90% dos pacientes com mononucleose que recebem amoxicilina desenvolvem um rash maculopapular difuso. Esta não é uma reação alérgica verdadeira à penicilina, mas sim uma interação medicamentosa-viral específica do EBV.

Qual o tratamento recomendado para a mononucleose infecciosa?

O tratamento da mononucleose infecciosa é essencialmente de suporte, focando no alívio dos sintomas. Inclui repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos. Antibióticos são contraindicados, e atividades físicas de contato devem ser evitadas em caso de esplenomegalia.

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