UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Menina de 14 anos, previamente hígida, apresenta aumento de gânglios em região cervical, associado à febre, dor de garganta e fadiga há duas semanas. Refere que, no início do quadro, fez uso de amoxicilina sem apresentar melhora, associado ao surgimento de exantema maculopapular em tronco e membros. Com base nos achados descritos, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Adolescente com faringite + linfadenopatia + febre, que desenvolve rash após uso de amoxicilina → Mononucleose Infecciosa.
O surgimento de um exantema maculopapular em mais de 90% dos pacientes com mononucleose infecciosa após o uso de aminopenicilinas (amoxicilina, ampicilina) é um achado patognomônico. A reação é mediada imunologicamente e não representa uma alergia verdadeira à penicilina.
A mononucleose infecciosa, causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), é uma doença comum em adolescentes e adultos jovens. A transmissão ocorre principalmente pela saliva, o que lhe confere o apelido de 'doença do beijo'. A apresentação clínica clássica envolve a tríade de febre, faringite e linfadenopatia. A faringite pode ser intensa e exsudativa, mimetizando uma amigdalite bacteriana por estreptococos. Esse fato frequentemente leva à prescrição equivocada de antibióticos, como a amoxicilina. Um dos achados mais característicos da mononucleose é o desenvolvimento de um exantema maculopapular pruriginoso em mais de 90% dos pacientes que recebem uma aminopenicilina. Este rash não é uma alergia verdadeira e sua ocorrência é um forte indicativo diagnóstico. O diagnóstico é apoiado por achados laboratoriais como linfocitose com atipia linfocitária e confirmado por sorologia. O tratamento é de suporte, com analgésicos, antitérmicos e repouso. É fundamental orientar o paciente a evitar atividades físicas de impacto devido ao risco de ruptura esplênica, uma complicação rara, mas potencialmente fatal.
A tríade clássica consiste em febre, faringite (frequentemente exsudativa, semelhante à bacteriana) e linfadenopatia, que é tipicamente generalizada, mas mais proeminente nas cadeias cervicais posteriores. Esplenomegalia também é um achado comum.
O diagnóstico é sugerido pelo hemograma, que revela linfocitose com presença de mais de 10% de linfócitos atípicos. A confirmação pode ser feita pela detecção de anticorpos heterófilos (Monoteste) ou por sorologias específicas para o vírus Epstein-Barr (anti-VCA IgM e IgG).
A complicação mais temida é a ruptura esplênica, que pode ocorrer espontaneamente ou após trauma. Por isso, recomenda-se evitar esportes de contato e atividades físicas intensas por pelo menos 3 a 4 semanas. Outras complicações incluem obstrução de vias aéreas, anemia hemolítica e meningoencefalite.
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