FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024
Manoela, 14 anos, procurou serviço de pronto atendimento referindo ter iniciado há 7 dias quadro de odinofagia associado a febre (38,5°C), cefaleia e adinamia. Relata ter iniciado uso de amoxicilina há quatro dias, sem melhora do quadro. Ao exame físico, você observa exantema maculopapular em tronco, orofaringe hiperemiada com placas acinzentadas, linfonodomegalia cervical com linfonodos com cerca de 1 cm de diâmetro, móveis, fibroelásticos e levemente dolorosos, sem alterações cardiorrespiratórias, fígado palpável a 4 cm do RCD e doloroso, baço há 6 cm do RCE. Foram realizados os seguintes exames complementares: Hemograma: Hb: 12,5; Ht: 38,7%; Leucócitos: 14.300 céls/mm³ com linfócitos atípicos: 67,5%, segmentados: 27,4%, eosinófilos 0,5%. Plaquetas: 120.000 /mm³, PCR: 35 mg/L, Transaminases: TGO 110 U/L; TGP 171 U/L. Considerando a principal hipótese diagnóstica, é correto afirmar:
Mononucleose: exantema após amoxicilina + linfocitose atípica + hepatoesplenomegalia = suspeita forte.
A mononucleose infecciosa, causada principalmente pelo VEB, frequentemente apresenta linfocitose com linfócitos atípicos no hemograma. O uso de amoxicilina em pacientes com mononucleose pode desencadear um exantema maculopapular, o que é um achado clássico e não indica alergia ao antibiótico.
A mononucleose infecciosa, causada predominantemente pelo Vírus Epstein-Barr (VEB), é uma doença linfoproliferativa benigna comum em adolescentes e adultos jovens. Sua importância clínica reside na ampla gama de apresentações, desde quadros subclínicos até complicações graves, e na necessidade de um diagnóstico diferencial preciso com outras causas de faringite e linfonodomegalia. A compreensão da sua epidemiologia e manifestações é crucial para o residente. A fisiopatologia envolve a infecção de linfócitos B e células epiteliais orofaríngeas, com uma resposta imune mediada por linfócitos T CD8+ que resulta nos sintomas. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames laboratoriais, como o hemograma com linfocitose atípica e testes sorológicos (monoteste ou anticorpos específicos para VEB). A presença de hepatoesplenomegalia e o exantema após amoxicilina são achados clássicos que reforçam a suspeita. O tratamento da mononucleose é primariamente de suporte, visando aliviar os sintomas. Corticosteroides podem ser considerados em casos de obstrução de vias aéreas, anemia hemolítica grave ou trombocitopenia severa, mas não são rotineiramente indicados. É fundamental orientar o paciente sobre o risco de ruptura esplênica e a necessidade de evitar atividades físicas intensas por algumas semanas. A síndrome de Reye está associada ao uso de salicilatos em infecções virais, portanto, o ácido acetilsalicílico deve ser evitado em crianças e adolescentes.
A mononucleose infecciosa tipicamente se manifesta com febre, odinofagia, linfonodomegalia (especialmente cervical posterior) e fadiga. Hepatoesplenomegalia e exantema maculopapular (comum após uso de amoxicilina) também podem ocorrer.
A alteração hematológica mais característica é a linfocitose absoluta ou relativa, com a presença de linfócitos atípicos (ou reativos) no esfregaço periférico, que são linfócitos T CD8+ ativados.
O exantema maculopapular que ocorre em pacientes com mononucleose infecciosa que recebem amoxicilina (ou ampicilina) não é uma reação alérgica verdadeira, mas sim uma reação imunológica complexa, observada em até 90% dos casos.
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