Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico e Conduta Clínica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Um adolescente com 12 anos de idade é trazido à consulta na Unidade Básica de Saúde com relato de febre, variando entre 38,8 °C e 39 °C, há dois dias, acompanhada de dor de garganta, manchas vermelhas pelo corpo e desânimo. Na anamnese refere também náuseas e dor abdominal. Ao exame o paciente apresenta queda do estado geral, exantema máculo-papular não pruriginoso em membros, tronco e região glútea. As amígdalas mostram-se muito hipertrofiadas, com presença de exsudato; presença de linfoadenopatia submandibular, cervical anterior e epitroclear. Aparelho respiratório e cardiovascular sem alterações. Abdome difusamente doloroso, com fígado palpável a 2 cm do rebordo costal direito e baço a 3 cm do rebordo costal esquerdo. O hemograma apresenta leucocitose de 14.000 células/mm³ com 20% de linfócitos atípicos, sem outras alterações importantes, e o teste rápido para pesquisa do antígeno estreptocócico do grupo A é negativo. Diante do quadro clínico e laboratorial do paciente, qual o diagnóstico e conduta?

Alternativas

  1. A) Amigdalite estreptocócica; prescrever penicilina ou derivados por dez dias e reavaliar o paciente.
  2. B) Escarlatina; prescrever antimicrobiano e analgésico, orientando que o paciente evite esforços físicos.
  3. C) Infecção pelo vírus da rubéola; prescrever anti-histamínico, analgésico e afastar o paciente de gestantes.
  4. D) Mononucleose infecciosa; prescrever analgésico e antitérmico, não sendo necessário o uso de antimicrobianos.

Pérola Clínica

Fevereiro + Faringite + Adenopatia + Esplenomegalia + Linfocitose atípica = Mononucleose.

Resumo-Chave

A mononucleose infecciosa cursa com linfocitose atípica e esplenomegalia. O tratamento é de suporte, evitando-se amoxicilina pelo risco de exantema.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa é causada principalmente pelo Vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus humano tipo 4. A transmissão ocorre via saliva ('doença do beijo'). A fisiopatologia envolve a infecção de linfócitos B pelo vírus, desencadeando uma resposta vigorosa de linfócitos T citotóxicos (CD8+), que aparecem no sangue periférico como linfócitos atípicos. O diagnóstico diferencial com faringite estreptocócica é fundamental. Na mononucleose, a linfadenopatia costuma ser generalizada ou cervical posterior, enquanto na estreptocócica é tipicamente cervical anterior. A presença de esplenomegalia e a ausência de resposta a antibióticos comuns reforçam a suspeita viral. Complicações raras incluem obstrução de vias aéreas por hipertrofia amigdaliana, anemia hemolítica autoimune e ruptura de baço.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos da mononucleose infecciosa?

A apresentação clássica inclui a tríade de febre, faringite (frequentemente com exsudato esbranquiçado) e linfadenopatia (especialmente cervical posterior). Outros achados comuns são fadiga intensa, esplenomegalia (em 50% dos casos), hepatomegalia e edema palpebral (sinal de Hoagland). No hemograma, observa-se linfocitose com presença de mais de 10% de linfócitos atípicos.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da mononucleose?

O diagnóstico baseia-se na clínica e na presença de linfocitose atípica. Testes sorológicos incluem a pesquisa de anticorpos heterófilos (como o Monoteste), que são úteis em adolescentes e adultos, mas podem ser negativos em crianças pequenas. A sorologia específica para EBV (anti-VCA IgM e IgG, anti-EBNA) é o padrão-ouro para confirmar infecção aguda ou pregressa.

Qual a conduta e orientações no tratamento da mononucleose?

O tratamento é essencialmente de suporte, com repouso, hidratação, analgésicos e antitérmicos. Antibióticos não são indicados, a menos que haja coinfecção bacteriana comprovada. Uma orientação crucial é evitar esportes de contato por 3 a 4 semanas devido ao risco de ruptura esplênica, mesmo que a esplenomegalia não seja clinicamente detectável.

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