Exantema Pós-Penicilina em Mononucleose: Diagnóstico

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 7 anos de idade, residente na capital, procura a Unidade Básica de Saúde com relato de febre, cefaleia e dor abdominal há cinco dias sem melhora com tratamento. Ao exame físico, você percebe a presença de exantema maculopapular em tronco e membros. Assinale a alternativa que descreve UM DADO EPIDEMIOLÓGICO IMPORTANTE para o esclarecimento diagnóstico:

Alternativas

  1. A) A história de contato com cavalos nos últimos 30 dias é importante, pois a febre maculosa ocorre após esse período de incubação.
  2. B) O histórico vacinal é importante, pois nessa idade o paciente já deve ter recebido três doses da vacina contra sarampo, varicela e rubéola.
  3. C) O mês em que o paciente adoece é importante, pois, a maioria dos casos de dengue ocorre nos meses de agosto a novembro.
  4. D) O uso recente de penicilina ou derivados é importante, pois o exantema em pacientes com mononucleose é muito frequente após o uso desses medicamentos.

Pérola Clínica

Exantema maculopapular após penicilina em criança com febre/cefaleia/dor abdominal → suspeitar de mononucleose infecciosa.

Resumo-Chave

Em crianças com quadro de febre, cefaleia e dor abdominal, a presença de exantema maculopapular, especialmente após o uso de penicilina ou derivados, é um forte indício de mononucleose infecciosa. Este exantema é uma reação comum e não alérgica à amoxicilina/ampicilina em pacientes com infecção pelo vírus Epstein-Barr.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa, causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (VEB), é uma doença comum na infância e adolescência, embora sua apresentação possa variar com a idade. Os sintomas clássicos incluem febre, faringite, linfadenopatia e fadiga. Em crianças pequenas, o quadro pode ser mais atípico, com sintomas constitucionais como febre, cefaleia e dor abdominal, tornando o diagnóstico mais desafiador. Um dado epidemiológico crucial, como abordado na questão, é o uso recente de antibióticos da classe das penicilinas (especialmente amoxicilina ou ampicilina). Pacientes com mononucleose que recebem esses medicamentos desenvolvem um exantema maculopapular em até 90% dos casos. Este exantema não é uma alergia verdadeira à penicilina, mas sim uma reação imunológica específica que ocorre na presença da infecção pelo VEB. Para residentes, é vital reconhecer essa associação para evitar o diagnóstico errôneo de alergia à penicilina e para orientar corretamente o tratamento e o acompanhamento. A história completa, incluindo o uso de medicamentos, é fundamental no diagnóstico diferencial das doenças exantemáticas febris.

Perguntas Frequentes

Por que o uso de penicilina pode causar exantema em pacientes com mononucleose?

O exantema maculopapular que ocorre em pacientes com mononucleose infecciosa após o uso de penicilinas (especialmente amoxicilina ou ampicilina) não é uma reação alérgica verdadeira. É uma reação imunológica mediada por linfócitos T ao complexo droga-vírus, que ocorre em até 90% dos pacientes com VEB que recebem esses antibióticos.

Quais são os sintomas clássicos da mononucleose infecciosa em crianças?

Os sintomas clássicos da mononucleose infecciosa incluem febre, faringite (com ou sem exsudato), linfadenopatia (especialmente cervical posterior) e fadiga. Hepatoesplenomegalia também pode estar presente. Em crianças pequenas, a apresentação pode ser mais inespecífica, com sintomas como febre, cefaleia e dor abdominal.

Como diferenciar o exantema da mononucleose de outras doenças exantemáticas?

A diferenciação envolve a história clínica completa, incluindo o uso de medicamentos, e a avaliação dos sintomas associados. O exantema da mononucleose induzido por amoxicilina é tipicamente maculopapular, eritematoso e pruriginoso, surgindo dias após o início do antibiótico. Outras doenças exantemáticas têm padrões e associações clínicas distintas (ex: sarampo, rubéola, dengue, febre maculosa).

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