Mononucleose Infecciosa: Exantema por Amoxicilina e Manejo

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Adolescente masculino de 13 anos procura emergência médica com quadro de febre há 4 dias, associado a odinofagia e dor na garganta, onde há hiperemia, hipertrofia e exsudato de tonsilas. Apresenta também linfadenopatia cervical em cadeias anteriores e posteriores. O baço é palpável a 3 cm do rebordo costal esquerdo. Há relato de ter sido atendido previamente (há 48 horas) em outro serviço, sendo prescrita amoxicilina, sem melhora. Posteriormente a essa avaliação, surgiu exantema evanescente. O hemograma revela linfocitose, com porcentagem significativa de linfócitos atípicos. Diante do quadro acima, a orientação terapêutica correta a ser dada é:

Alternativas

  1. A) Associar corticoide via oral ao antibiótico em uso.
  2. B) Manter amoxicilina e associar anti-inflamatório não hormonal.
  3. C) Suspender amoxicilina, substituindo-a por amoxicilina + clavulanato.
  4. D) Suspender amoxicilina, orientando uso de antitérmico, hidratação e observação clínica.

Pérola Clínica

Mononucleose + Amoxicilina = exantema maculopapular; suspender ATB, sintomáticos.

Resumo-Chave

A mononucleose infecciosa, causada pelo VEB, frequentemente cursa com faringite exsudativa, linfadenopatia e esplenomegalia. A prescrição de amoxicilina nesses casos é um erro comum, pois induz um exantema maculopapular em 70-90% dos pacientes, que não é uma alergia verdadeira, mas uma reação imunológica. A conduta correta é suspender o antibiótico e tratar sintomaticamente.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa, comumente causada pelo Vírus Epstein-Barr (VEB), é uma doença linfoproliferativa benigna que afeta principalmente adolescentes e adultos jovens. Caracteriza-se pela tríade clássica de febre, faringite exsudativa e linfadenopatia, frequentemente acompanhada de esplenomegalia e fadiga intensa. É uma condição comum na prática pediátrica e clínica geral, e seu reconhecimento é crucial para evitar condutas inadequadas. Um erro comum na suspeita de faringite bacteriana é a prescrição de amoxicilina. Em pacientes com mononucleose infecciosa, o uso de amoxicilina (ou outras aminopenicilinas) leva ao desenvolvimento de um exantema maculopapular difuso em uma alta porcentagem dos casos (70-90%). Este exantema não é uma reação alérgica verdadeira à penicilina, mas sim uma reação imunológica específica que ocorre no contexto da infecção pelo VEB. Diante de um quadro clínico sugestivo de mononucleose (faringite, linfadenopatia, esplenomegalia, linfocitose atípica no hemograma) e o surgimento de exantema após uso de amoxicilina, a conduta correta é suspender o antibiótico. O tratamento da mononucleose é primariamente sintomático, com repouso, hidratação e analgésicos/antitérmicos. É fundamental orientar o paciente e a família sobre a natureza do exantema para evitar a rotulagem desnecessária de 'alergia à penicilina'.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da mononucleose infecciosa?

Os sintomas incluem febre, faringite exsudativa, linfadenopatia (especialmente cervical posterior) e esplenomegalia. Fadiga intensa é um achado comum.

Por que a amoxicilina é contraindicada na mononucleose infecciosa?

Embora não seja uma contraindicação absoluta por alergia, a amoxicilina (e outras aminopenicilinas) causa um exantema maculopapular em 70-90% dos pacientes com mononucleose, o que pode ser confundido com alergia verdadeira.

Qual a conduta para o exantema por amoxicilina na mononucleose?

A conduta é suspender a amoxicilina, pois o exantema geralmente é autolimitado e não indica uma alergia verdadeira. O tratamento da mononucleose é sintomático.

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