Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico e Sinais Chave

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2023

Enunciado

Adolescente do sexo masculino, 15 anos de idade, apresenta há 15 dias febre aferida de 38 a 38,6° C, mal estar, fadiga, mialgia e adinamia. Apresenta no exame hiperemia de orofaringe com discreto exsudato, linfadenopatia e hepatoesplenomegalia. Os exames revelam: Leucócitos 18.200/ml3, linfócitos 62%, linfócitos atípicos 16%. A sorologia para citomegalovírus foi negativa. A hipótese diagnostica mais provável é:

Alternativas

  1. A) Leucemia aguda.
  2. B) Mononucleose infecciosa.
  3. C) Parvovirose.
  4. D) Rubéola.

Pérola Clínica

Adolescente com febre, faringite, linfadenopatia, hepatoesplenomegalia e linfócitos atípicos → Mononucleose infecciosa (EBV).

Resumo-Chave

O quadro clássico de febre, faringite exsudativa, linfadenopatia generalizada e hepatoesplenomegalia em um adolescente, associado a leucocitose com linfocitose e presença de linfócitos atípicos no hemograma, é altamente sugestivo de mononucleose infecciosa. A sorologia negativa para citomegalovírus (CMV) ajuda a excluir um dos principais diagnósticos diferenciais.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa, frequentemente chamada de 'doença do beijo', é uma síndrome clínica causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus ubíquo. É mais comum em adolescentes e adultos jovens, transmitida principalmente pela saliva. A doença é caracterizada por uma tríade clássica de febre, faringite e linfadenopatia, mas pode apresentar uma ampla gama de manifestações clínicas, tornando seu diagnóstico um desafio. A importância de reconhecer a mononucleose reside na sua prevalência e na necessidade de diferenciar de outras condições mais graves. A fisiopatologia envolve a infecção de linfócitos B pelo EBV, levando a uma resposta imune robusta com proliferação de linfócitos T atípicos, que são os responsáveis pelos achados no hemograma. Os sintomas geralmente aparecem após um período de incubação de 4 a 6 semanas. Além da tríade clássica, hepatoesplenomegalia é um achado comum, e erupções cutâneas podem ocorrer, especialmente se antibióticos como ampicilina forem administrados. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames laboratoriais, incluindo hemograma (leucocitose com linfocitose e linfócitos atípicos) e sorologia para EBV (anticorpos heterófilos ou anticorpos específicos VCA IgM e IgG). O tratamento da mononucleose é sintomático, com repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos. Corticosteroides podem ser considerados em casos de obstrução das vias aéreas ou anemia hemolítica grave. É crucial evitar esportes de contato por pelo menos 3-4 semanas devido ao risco de ruptura esplênica. O prognóstico é geralmente excelente, com recuperação completa, embora a fadiga possa persistir por um tempo. A diferenciação de outras causas de síndrome mononucleose-like, como CMV ou HIV agudo, é essencial e guiada por sorologias específicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da mononucleose infecciosa?

Os sintomas clássicos incluem febre, fadiga intensa, faringite (muitas vezes com exsudato), linfadenopatia cervical posterior e generalizada, e hepatoesplenomegalia. A fadiga pode ser prolongada por semanas ou meses.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da mononucleose infecciosa?

O diagnóstico é sugerido pelo hemograma (leucocitose com linfocitose e linfócitos atípicos) e confirmado por testes sorológicos. O teste de Paul-Bunnell (anticorpos heterófilos) é rápido, mas a sorologia para anticorpos específicos contra o vírus Epstein-Barr (EBV-VCA IgM e IgG) é mais sensível e específica.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais da mononucleose infecciosa?

Os principais diagnósticos diferenciais incluem infecção por citomegalovírus (CMV), toxoplasmose, HIV agudo, rubéola, adenovirose e, mais raramente, leucemias. A sorologia ajuda a diferenciar essas condições.

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