Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico e Complicações

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2022

Enunciado

Adolescente de 16 anos vem ao pronto atendimento com queixas de dor de garganta, febre há uma semana, fadiga e linfadenopatia cervical bilateral. Ao exame físico apresenta alargamento tonsilar acentuado, com exsudatos, petéquias na junção dos palatos duro e mole. Aumento de linfonodos cervicais anteriores, posteriores e submandibulares. Baço palpável 2cm abaixo do rebordo costal. Apresenta também uma erupção cutânea morbiliforme e vasculítica, principalmente em extremidades e nádegas. Relata uso de amoxicilina há 4 dias, sem melhora do quadro.Sobre esta situação selecione a opção correta.I – A falha do tratamento antimicrobiano pode ser justificada pela resistência do estreptococo à penicilina.II – Em caso de obstrução incipiente da das vias aéreas estaria indicada a utilização de corticosteroides.III – A complicação mais temida desta doença é a ruptura do baço.

Alternativas

  1. A) As afirmativas I e II são verdadeiras. A afirmativa III é falsa.
  2. B) As afirmativas I e III são verdadeiras. A afirmativa II é falsa.
  3. C) As afirmativas II e III são verdadeiras. A afirmativa I é falsa. 
  4. D) As afirmativas I, II e III são verdadeiras. 
  5. E) As afirmativas I, II e III são falsas.

Pérola Clínica

Mononucleose: rash pós-amoxicilina, esplenomegalia (risco ruptura baço), obstrução via aérea → corticosteroide.

Resumo-Chave

O quadro clínico sugere mononucleose infecciosa, frequentemente causada pelo EBV. O rash cutâneo após amoxicilina é um achado clássico. A esplenomegalia aumenta o risco de ruptura esplênica, e a obstrução das vias aéreas por edema tonsilar é uma complicação grave que pode exigir corticosteroides.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa, comumente causada pelo Vírus Epstein-Barr (EBV), é uma doença linfoproliferativa aguda que afeta principalmente adolescentes e adultos jovens. Caracteriza-se por uma tríade clássica de febre, faringite exsudativa e linfadenopatia, frequentemente acompanhada de fadiga intensa e esplenomegalia. O diagnóstico diferencial com faringite estreptocócica é crucial, pois o uso de aminopenicilinas (como amoxicilina) em pacientes com mononucleose pode induzir um rash cutâneo característico, que não é uma alergia verdadeira. A fisiopatologia envolve a infecção de linfócitos B, levando a uma resposta imune exuberante. A esplenomegalia é um achado comum e a complicação mais grave associada é a ruptura esplênica, que pode ocorrer espontaneamente ou após trauma abdominal leve, sendo uma emergência médica. Outra complicação importante é a obstrução das vias aéreas superiores devido ao grande aumento das tonsilas e linfonodos, que pode exigir intervenção com corticosteroides para reduzir o edema e melhorar a respiração. O tratamento da mononucleose é primariamente de suporte, focando no alívio dos sintomas e na prevenção de complicações. Repouso é recomendado, especialmente para evitar atividades que possam aumentar o risco de ruptura esplênica. Corticosteroides podem ser indicados em casos de obstrução grave das vias aéreas, anemia hemolítica autoimune ou trombocitopenia significativa. A educação do paciente sobre os riscos e a importância do repouso é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da mononucleose infecciosa?

Os sinais clássicos incluem febre, dor de garganta com exsudato tonsilar, linfadenopatia cervical (geralmente difusa), fadiga intensa e esplenomegalia. Petéquias no palato também são comuns.

Por que ocorre rash cutâneo na mononucleose após uso de amoxicilina?

O rash cutâneo morbiliforme ou maculopapular é uma reação não alérgica comum em pacientes com mononucleose infecciosa que recebem amoxicilina (ou ampicilina), ocorrendo em 70-90% dos casos.

Qual a complicação mais grave da mononucleose infecciosa?

A complicação mais temida é a ruptura esplênica, devido à esplenomegalia e fragilidade capsular. Outras complicações incluem obstrução de vias aéreas superiores por edema linfático e tonsilar.

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