FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023
Pedro, 12 anos, iniciou há 7 dias quadro de febre elevada e indisposição. Há 3 dias passou a apresentar dor de garanta e caroços no pescoço. Procurou serviço médico, onde foi prescrita amoxicilina por se tratar de faringite. Fez uso de forma correta até que hoje surgiram manchas vermelhas em tronco e membros. Ao ser examinado, o pediatra encontrou exantema maculopapular, não pruriginoso, em tronco e membros, placa acinzentada em ambas as tonsilas. Estado geral preservado. O diagnóstico mais provável e a conduta mais adequada, neste caso, são:
Mononucleose + Amoxicilina → Exantema maculopapular (não alérgico) é clássico.
O aparecimento de um exantema maculopapular em um paciente com quadro de faringite, febre e linfadenopatia cervical que recebeu amoxicilina é altamente sugestivo de mononucleose infecciosa, não sendo uma reação alérgica verdadeira ao antibiótico.
A mononucleose infecciosa, causada principalmente pelo Vírus Epstein-Barr (EBV), é uma doença comum em adolescentes e adultos jovens, caracterizada pela tríade clássica de febre, faringite exsudativa e linfadenopatia. A apresentação clínica pode ser variada, e o diagnóstico é frequentemente suspeitado pela história e exame físico, sendo confirmado por testes sorológicos específicos para EBV. Um achado clínico distintivo e crucial para o diagnóstico diferencial é o desenvolvimento de um exantema maculopapular, não pruriginoso, em tronco e membros, que surge em até 90% dos pacientes com mononucleose que recebem amoxicilina ou ampicilina. Este rash não é uma reação alérgica verdadeira ao antibiótico, mas sim uma interação complexa entre o vírus e a droga. A presença de placas acinzentadas nas tonsilas é também um sinal importante. A conduta para mononucleose é primariamente de suporte, incluindo repouso, hidratação e uso de antitérmicos/analgésicos. É fundamental suspender o antibiótico se este foi iniciado, pois não tem eficácia contra o EBV e pode induzir o rash. A notificação compulsória não é indicada para mononucleose. A diferenciação de outras faringites e exantemas é vital para evitar tratamentos desnecessários e rotulagem incorreta de alergias.
Os sintomas clássicos incluem febre prolongada, faringite exsudativa (dor de garganta com placas acinzentadas nas tonsilas), e linfadenopatia (aumento dos gânglios, especialmente cervicais). Fadiga e esplenomegalia também são comuns.
O rash maculopapular que ocorre em pacientes com mononucleose infecciosa tratados com amoxicilina (ou ampicilina) não é uma reação alérgica verdadeira, mas sim uma reação imunológica complexa ao vírus Epstein-Barr na presença do antibiótico, ocorrendo em 70-90% dos casos.
O tratamento é de suporte, com repouso, hidratação e analgésicos/antitérmicos para alívio dos sintomas. Antibióticos são contraindicados, a menos que haja uma infecção bacteriana secundária.
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