Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico e Rash por Amoxicilina

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023

Enunciado

Pedro, 12 anos, iniciou há 7 dias quadro de febre elevada e indisposição. Há 3 dias passou a apresentar dor de garanta e caroços no pescoço. Procurou serviço médico, onde foi prescrita amoxicilina por se tratar de faringite. Fez uso de forma correta até que hoje surgiram manchas vermelhas em tronco e membros. Ao ser examinado, o pediatra encontrou exantema maculopapular, não pruriginoso, em tronco e membros, placa acinzentada em ambas as tonsilas. Estado geral preservado. O diagnóstico mais provável e a conduta mais adequada, neste caso, são:

Alternativas

  1. A) escarlatina – amoxicilina+clavulanato por 10 dias.
  2. B) dengue – hidratação oral, notificação compulsória da doença e suspender o antibiótico.
  3. C) escarlatina – enicilina benzatina na dose 50000 UI/Kg, dose única. Notificação compulsória da doença.
  4. D) mononucleose – antitérmicos e repouso. Não notificar. Suspender o antibiótico.
  5. E) rubéola – antitérmicos, isolamento e notificação compulsória. Suspender o antibiótico.

Pérola Clínica

Mononucleose + Amoxicilina → Exantema maculopapular (não alérgico) é clássico.

Resumo-Chave

O aparecimento de um exantema maculopapular em um paciente com quadro de faringite, febre e linfadenopatia cervical que recebeu amoxicilina é altamente sugestivo de mononucleose infecciosa, não sendo uma reação alérgica verdadeira ao antibiótico.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa, causada principalmente pelo Vírus Epstein-Barr (EBV), é uma doença comum em adolescentes e adultos jovens, caracterizada pela tríade clássica de febre, faringite exsudativa e linfadenopatia. A apresentação clínica pode ser variada, e o diagnóstico é frequentemente suspeitado pela história e exame físico, sendo confirmado por testes sorológicos específicos para EBV. Um achado clínico distintivo e crucial para o diagnóstico diferencial é o desenvolvimento de um exantema maculopapular, não pruriginoso, em tronco e membros, que surge em até 90% dos pacientes com mononucleose que recebem amoxicilina ou ampicilina. Este rash não é uma reação alérgica verdadeira ao antibiótico, mas sim uma interação complexa entre o vírus e a droga. A presença de placas acinzentadas nas tonsilas é também um sinal importante. A conduta para mononucleose é primariamente de suporte, incluindo repouso, hidratação e uso de antitérmicos/analgésicos. É fundamental suspender o antibiótico se este foi iniciado, pois não tem eficácia contra o EBV e pode induzir o rash. A notificação compulsória não é indicada para mononucleose. A diferenciação de outras faringites e exantemas é vital para evitar tratamentos desnecessários e rotulagem incorreta de alergias.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da mononucleose infecciosa?

Os sintomas clássicos incluem febre prolongada, faringite exsudativa (dor de garganta com placas acinzentadas nas tonsilas), e linfadenopatia (aumento dos gânglios, especialmente cervicais). Fadiga e esplenomegalia também são comuns.

Por que a amoxicilina causa rash em pacientes com mononucleose?

O rash maculopapular que ocorre em pacientes com mononucleose infecciosa tratados com amoxicilina (ou ampicilina) não é uma reação alérgica verdadeira, mas sim uma reação imunológica complexa ao vírus Epstein-Barr na presença do antibiótico, ocorrendo em 70-90% dos casos.

Qual é o tratamento para mononucleose infecciosa?

O tratamento é de suporte, com repouso, hidratação e analgésicos/antitérmicos para alívio dos sintomas. Antibióticos são contraindicados, a menos que haja uma infecção bacteriana secundária.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo