Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico e Manejo em Pediatria

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 11 anos de idade, apresenta quadro febril há 8 dias associado a odinofagia e prostração. Ao exame físico, foi observado exsudato branco acinzentado sobre às amígdalas; adenomegalia cervical dolorosa bilateral; fígado palpado a 1 cm do rebordo costal direito à linha hemiclavicular; e baço palpável a 3 cm do rebordo costal. O hemograma revelou 17.500 leucócitos com 70% linfócitos, sendo 15% de linfócitos atípicos e plaquetas normais. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa que apresenta a conduta CORRETA.

Alternativas

  1. A) Aplicar penicilina benzatina dose única.
  2. B) Administrar amoxicilina oral por 10 dias.
  3. C) Colher swab para pesquisa de clostridium.
  4. D) Indicar sintomáticos e coleta de sorologia para o vírus Epstein-Barr.

Pérola Clínica

Febre + odinofagia + adenomegalia + hepatoesplenomegalia + linfocitose atípica → Mononucleose infecciosa (VEB).

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre prolongada, odinofagia com exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical, hepatoesplenomegalia e linfocitose com atipia no hemograma é altamente sugestivo de mononucleose infecciosa, causada pelo vírus Epstein-Barr (VEB), que requer tratamento sintomático e confirmação sorológica.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa, frequentemente causada pelo vírus Epstein-Barr (VEB), é uma doença comum em adolescentes e adultos jovens, mas também pode afetar crianças. O quadro clínico clássico inclui febre prolongada, odinofagia intensa com exsudato amigdaliano (que pode ser branco-acinzentado), adenomegalia cervical dolorosa bilateral e, em muitos casos, hepatoesplenomegalia. A prostração é um sintoma comum e pode ser significativa. O hemograma é um exame chave para a suspeita diagnóstica, revelando leucocitose com linfocitose e a presença de linfócitos atípicos (ou reativos), que são patognomônicos da infecção viral. Diante desse quadro, a conduta correta é o tratamento sintomático (analgésicos, antitérmicos, repouso) e a coleta de sorologia específica para o vírus Epstein-Barr (anticorpos IgM e IgG para VCA, EA e EBNA) para confirmação diagnóstica. É crucial evitar a prescrição de antibióticos como penicilina benzatina ou amoxicilina, pois a doença é viral. A amoxicilina, em particular, pode induzir um rash cutâneo em pacientes com mononucleose, o que é um erro comum e desnecessário. A atenção à hepatoesplenomegalia é importante, especialmente para orientar sobre a restrição de atividades físicas para evitar o risco de ruptura esplênica.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos no hemograma de um paciente com mononucleose infecciosa?

O hemograma típico da mononucleose infecciosa revela leucocitose com linfocitose relativa e absoluta, e a presença de linfócitos atípicos (ou reativos), que são células grandes com citoplasma abundante e basofílico.

Por que a amoxicilina é contraindicada na suspeita de mononucleose infecciosa?

A amoxicilina (e outras aminopenicilinas) é contraindicada porque cerca de 70-90% dos pacientes com mononucleose infecciosa que recebem esse antibiótico desenvolvem um rash cutâneo maculopapular não alérgico, que pode ser confundido com alergia medicamentosa.

Quais são as principais complicações da mononucleose infecciosa?

As complicações mais comuns incluem ruptura esplênica (rara, mas grave), obstrução das vias aéreas superiores por hipertrofia amigdaliana, hepatite, anemia hemolítica e, em casos mais raros, complicações neurológicas ou hematológicas.

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