HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2025
Um adolescente, sexo masculino, com 14 anos de idade é atendido no serviço de emergência por apresentar “perda de força nas pernas”. Segundo a família, o adolescente está “doente” há cerca de 20 dias; na primeira semana teve febre que durou 4 dias, dor de garganta, dores no corpo e fadiga. Procurou atendimento, quando foi diagnosticado com amigdalite, por apresentar “pus” na orofaringe, recebendo amoxicilina por 7 dias. Durante esse tratamento apresentou manchas vermelhas levemente pruriginosas no corpo. Após o desaparecimento da febre, ele persistiu com desânimo e cansaço e, há 2 dias, começou a queixar- -se de dor e formigamento nos pés e pernas, com dificuldade progressiva para caminhar. Hoje não havia conseguido levantar-se da cama. Ao exame físico, o paciente apresenta paraparesia simétrica e leve diminuição de força muscular em membros superiores, reflexos osteotendinosos abolidos nos membros inferiores. Com relação a esse quadro clínico, quais são as principais hipóteses diagnósticas?
Mononucleose + rash por amoxicilina + fraqueza ascendente com arreflexia → Mononucleose infecciosa e Síndrome de Guillain-Barré.
O quadro inicial de febre, dor de garganta e fadiga, seguido de rash após amoxicilina, é altamente sugestivo de mononucleose infecciosa. A fraqueza progressiva e ascendente com arreflexia, que se desenvolve após uma infecção, é a apresentação clássica da Síndrome de Guillain-Barré, uma complicação neurológica autoimune comum.
A mononucleose infecciosa, causada predominantemente pelo vírus Epstein-Barr (EBV), é uma doença comum em adolescentes e adultos jovens, caracterizada por febre, faringite exsudativa, linfadenopatia e fadiga. Uma particularidade é o desenvolvimento de um rash maculopapular em pacientes com mononucleose que recebem aminopenicilinas (como amoxicilina ou ampicilina), o que não indica uma alergia verdadeira ao antibiótico, mas sim uma reação imunológica específica. A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia aguda desmielinizante, autoimune, que se manifesta por fraqueza muscular progressiva, geralmente ascendente e simétrica, acompanhada de arreflexia. É frequentemente desencadeada por uma infecção prévia, sendo o EBV um dos patógenos associados. O diagnóstico é clínico, com suporte de eletroneuromiografia e análise do líquor (dissociação albumino-citológica). O tratamento da SGB é de suporte, com monitorização respiratória e hemodinâmica, e imunomodulação com imunoglobulina intravenosa (IVIg) ou plasmaférese. O reconhecimento precoce da SGB é vital para iniciar o tratamento e prevenir complicações graves, como insuficiência respiratória. A associação de mononucleose com SGB, embora não seja a causa mais comum, é um cenário clínico relevante para residentes.
A mononucleose infecciosa, causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr, manifesta-se com febre, faringite exsudativa, linfadenopatia (especialmente cervical posterior) e fadiga intensa. Hepatoesplenomegalia também pode ocorrer.
Cerca de 70-90% dos pacientes com mononucleose infecciosa que recebem amoxicilina (ou ampicilina) desenvolvem um rash maculopapular não alérgico. Isso não significa alergia à penicilina, mas sim uma reação imunológica específica à combinação do vírus e do antibiótico.
A Síndrome de Guillain-Barré é uma polirradiculoneuropatia aguda caracterizada por fraqueza muscular progressiva, geralmente ascendente e simétrica, acompanhada de arreflexia. Frequentemente, é precedida por uma infecção viral ou bacteriana, como a mononucleose.
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