Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico e Manejo em Adolescentes

UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2022

Enunciado

Adolescente, sexo masculino, 13 anos, apresenta febre diária há uma semana acompanhada de faringite e fadiga, que se intensificou nos últimos dias. Iniciou amoxicilina há três dias sem melhora. Refere náuseas ao se alimentar e dor à deglutição. Exame físico: discreto edema em pálpebras superiores, febril, com linfonodos cervicais aumentados, faringite exsudativa e erupção cutânea macular eritematosa leve no tronco e nos braços. O diagnóstico e conduta nesse caso são:

Alternativas

  1. A) Faringite estreptocócica; trocar para amoxicilina-clavulanato.
  2. B) Mononucleose infecciosa; sintomáticos.
  3. C) Doença de Kawasaki; imunoglobulina venosa e AAS.
  4. D) COVID-19; corticoide oral.
  5. E) Síndrome mão-pé-boca.

Pérola Clínica

Adolescente com febre, faringite exsudativa, linfonodomegalia e rash pós-amoxicilina → Mononucleose infecciosa. Tratamento sintomático.

Resumo-Chave

O quadro clínico do adolescente (febre, faringite exsudativa, linfonodomegalia, fadiga e rash cutâneo após uso de amoxicilina) é clássico da mononucleose infecciosa, causada pelo vírus Epstein-Barr. O tratamento é de suporte, com sintomáticos.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa, comumente conhecida como "doença do beijo", é uma infecção viral aguda causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (VEB). É mais prevalente em adolescentes e adultos jovens, transmitida pela saliva. A doença é caracterizada por uma tríade clássica de febre, faringite e linfonodomegalia, acompanhada de fadiga intensa que pode persistir por semanas. A fisiopatologia envolve a infecção de linfócitos B pelo VEB, levando a uma resposta imune robusta com proliferação de linfócitos T atípicos. O diagnóstico é clínico, suportado por exames laboratoriais como hemograma (linfocitose com linfócitos atípicos) e testes sorológicos (anticorpos heterófilos - Monoteste, ou sorologia específica para VEB). Um achado importante é o desenvolvimento de um rash cutâneo maculopapular em pacientes com mononucleose que recebem aminopenicilinas (como amoxicilina), o que não é uma alergia verdadeira, mas uma reação ao vírus. O tratamento da mononucleose é sintomático, focando no alívio da febre, dor de garganta e fadiga com analgésicos e antipiréticos. Repouso é recomendado, e atividades físicas intensas devem ser evitadas por algumas semanas devido ao risco de ruptura esplênica em casos de esplenomegalia. Antibióticos são ineficazes e desnecessários, a menos que haja uma coinfecção bacteriana, como uma faringite estreptocócica concomitante.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da mononucleose infecciosa?

Os sintomas clássicos incluem febre, fadiga intensa, faringite exsudativa, linfonodomegalia (especialmente cervical posterior) e, em alguns casos, esplenomegalia e hepatomegalia.

Por que a amoxicilina pode causar rash em pacientes com mononucleose?

Pacientes com mononucleose infecciosa frequentemente desenvolvem um rash maculopapular eritematoso não alérgico quando tratados com aminopenicilinas como a amoxicilina, devido a uma interação com o vírus Epstein-Barr.

Qual o tratamento recomendado para mononucleose infecciosa?

O tratamento é primariamente de suporte e sintomático, incluindo repouso, hidratação, analgésicos e antipiréticos. Antibióticos não são eficazes, pois a doença é viral.

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