Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico e Complicações Graves

HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2026

Enunciado

Escolar, 5 anos e 3 meses, sexo feminino, comparece ao seu pronto atendimento apresentando quadro de febre, cefaleia, mal-estar, lassidão, linfonodomegalia cervical anterior direita muito proeminente, hepatoesplenomegalia e edema de amigdalas com presença de exsudato purulento. Quadro iniciado há 4 dias, com piora progressiva. Você rapidamente fez o diagnóstico, e a partir dele, é correto afirmar que provavelmente:

Alternativas

  1. A) As amigdalas e os adenoides podem ficar tão hipertrofiadas que causam obstrução aérea alta.
  2. B) Chama a atenção a intensa leucopenia vista no sangue periférico com a presença marcante de linfócitos típicos.
  3. C) É um RNA vírus do grupo herpes e é agente causador de várias doenças, como a mononucleose infecciosa, hepatite e linfomas, entre outras.
  4. D) A ocorrência de erupção cutânea não excede os 5% dos casos e pode ser desencadeada pela administração de penicilina, mas nunca por ampicilina.

Pérola Clínica

Faringite exsudativa + Adenomegalia + Hepatoesplenomegalia → Mononucleose (EBV) → Risco de obstrução aérea.

Resumo-Chave

A mononucleose infecciosa pode cursar com hipertrofia linfoide grave, levando à obstrução respiratória alta, exigindo vigilância e corticoterapia.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa apresenta a tríade clássica de febre, faringite e linfadenopatia. Em crianças, o quadro pode ser confundido com faringite estreptocócica devido ao exsudato purulento. No entanto, a presença de hepatoesplenomegalia e adenomegalia generalizada sugere fortemente etiologia viral pelo EBV. Uma complicação crítica é a obstrução das vias aéreas superiores por edema e hipertrofia do anel de Waldeyer (amígdalas e adenoides), que pode necessitar de internação e uso de corticosteroides sistêmicos. O diagnóstico diferencial inclui infecção por CMV, toxoplasmose e HIV agudo, mas a atipia linfocitária marcante é o sinal patognomônico laboratorial do EBV.

Perguntas Frequentes

Quais os achados laboratoriais típicos da mononucleose?

O hemograma costuma revelar leucocitose com linfocitose absoluta e presença de linfócitos atípicos (geralmente >10%). Elevação discreta de transaminases também é comum devido à hepatite viral reacional associada ao vírus Epstein-Barr.

Por que evitar esportes de contato na mononucleose?

Devido à esplenomegalia, existe um risco aumentado de ruptura esplênica traumática ou mesmo espontânea, geralmente nas primeiras 3 a 4 semanas de doença. O retorno aos esportes deve ser autorizado apenas após a regressão da organomegalia.

Qual o agente etiológico da mononucleose?

É o vírus Epstein-Barr (EBV), um DNA-vírus da família Herpesviridae. Ele infecta linfócitos B e células epiteliais da orofaringe, podendo persistir de forma latente no organismo e estar associado a neoplasias futuras.

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