USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Você trabalha como médico em uma Unidade de Saúde da Família e atende um jovem de 16 anos, previamente hígido, que procura atendimento queixando-se de odinofagia e febre há 5 dias. Há 3 dias, procurou o serviço de pronto-atendimento, onde foi atendido por um médico que lhe prescreveu amoxicilina + clavulanato (500/125 mg) 1 cp 8/8h por 1 semana e dipirona, se necessário. Desde então, o rapaz notou piora dos sintomas e o aparecimento de lesões avermelhadas no tronco. Fotos de sua orofaringe e tronco no dia da consulta estão ilustradas abaixo.Diante desse quadro clínico, assinale a alternativa que contém o diagnóstico mais provável e a conduta mais apropriada para o caso.
Adolescente + faringite + rash após amoxicilina = Mononucleose infecciosa. Suspender ATB, focar em analgesia.
O quadro clínico de um adolescente com faringite, febre e o aparecimento de rash cutâneo após o uso de amoxicilina é altamente sugestivo de mononucleose infecciosa. A amoxicilina (ou ampicilina) pode induzir um rash maculopapular em até 90% dos pacientes com mononucleose, sendo um erro manter o antibiótico.
A mononucleose infecciosa, frequentemente causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), é uma doença viral comum, especialmente em adolescentes e adultos jovens. Caracteriza-se por uma tríade clássica de febre, faringite e linfadenopatia, acompanhada de fadiga intensa. O diagnóstico é predominantemente clínico, mas pode ser confirmado por exames laboratoriais como o hemograma (linfocitose atípica) e testes sorológicos (anticorpos heterófilos ou específicos para EBV). Um ponto crítico na mononucleose é a reação adversa que pode ocorrer com o uso de antibióticos da classe das aminopenicilinas, como a amoxicilina ou ampicilina. Em pacientes com mononucleose, a administração desses antibióticos pode desencadear um rash maculopapular difuso, que não é uma reação alérgica verdadeira, mas sim uma farmacodermia específica. Este rash pode levar a um diagnóstico equivocado de alergia à penicilina, com implicações futuras para o tratamento de infecções bacterianas. O manejo da mononucleose infecciosa é primariamente de suporte, visando aliviar os sintomas. Isso inclui repouso adequado, hidratação e uso de analgésicos e antipiréticos. Não há tratamento antiviral específico e os antibióticos são ineficazes, devendo ser suspensos se iniciados. É importante orientar o paciente sobre a fadiga prolongada e a restrição de atividades físicas intensas devido ao risco de ruptura esplênica em casos de esplenomegalia.
Os sintomas clássicos da mononucleose infecciosa incluem febre, faringite exsudativa, linfadenopatia (especialmente cervical posterior) e fadiga. Hepatoesplenomegalia também pode ocorrer.
A amoxicilina (e ampicilina) pode causar um rash cutâneo maculopapular em até 90% dos pacientes com mononucleose infecciosa, o que pode ser erroneamente interpretado como uma alergia ao antibiótico. Além disso, a mononucleose é uma infecção viral, e antibióticos não são eficazes.
O tratamento da mononucleose infecciosa é sintomático, focando em repouso, hidratação e analgesia/antipirese (como dipirona ou anti-inflamatórios não esteroides). Antibióticos devem ser suspensos se iniciados erroneamente.
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