HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2022
L.S.A, 8 anos, sexo masculino, estudante, residente de Bocaiúva do SUL PR, procurou o serviço de pronto atendimento referindo ter iniciado há 8 dias quadro de odinofagia associada a febre aferida (38,5°C), cefaleia e adinamia. Relata ter iniciado o uso de amoxicilina há 4 dias, sem melhora do quadro. Há dois dias notou o surgimento de exantema em região de tronco. Nega possuir comorbidades. Nega uso diário de medicamentos. História familiar de pai hipertenso e diabético. Exame físico: Regular estado geral, lúcido e orientado em tempo e espaço, acianótico, anictérico, hidratado, febril (38,9°C), normotenso (120X80 mmHg). Pele: presença de rash cutâneo maculopapular em região de tronco. Sistema respiratório: tórax atípico. Eupneico (18 irpm), ausência de tiragens e retrações. Expansibilidade torácica completamente preservada e frêmito toracovocal presente em toda parede torácica. À percussão: som claro pulmonar. À ausculta: murmúrio vesicular fisiológico presente sem ruídos. Sistema cardiovascular: ritmo cardíaco regular, 2T, bulhas cardíacas normofonéticas, sem sopros. FC: 80 bpm. Abdome: ruídos hidroaéreos presentes, normotenso, doloroso a palpação, fígado palpável a 4cm do RCD e doloroso, baço há 6 cm do RCE. Oroscopia: orofaringe hiperemiada com placas acinzentadas. Palpação de linfonodos: presença de gânglios cervicais posteriores com 1 a 2 cm de diâmetro, de consistência fibroelástica, levemente dolorosos, móveis.Exames complementares:Hemograma: Hb: 13,1 ; Ht: 39,8% ; Leucócitos: 13.600 céls/mm³ com linfócitos atípicos 69,5%, segmentados 29,4%, eosinofilos 0,4%.Plaquetas: 110.000 /mm³PCR: 38 mg/LTransaminases: TGO 100 U/L ; TGP 191 U/LQual a primeira hipótese diante do quadro exposto?
Mononucleose = febre, faringite, linfadenopatia, hepatoesplenomegalia, linfócitos atípicos; exantema após amoxicilina é comum.
O quadro clínico de febre, odinofagia com placas acinzentadas, linfadenopatia cervical posterior, hepatoesplenomegalia e exantema após uso de amoxicilina, associado a leucocitose com linfócitos atípicos e transaminases elevadas, é altamente sugestivo de mononucleose infecciosa, classicamente causada pelo Vírus Epstein-Barr (EBV).
A mononucleose infecciosa, também conhecida como 'doença do beijo' ou febre glandular, é uma síndrome clínica comum causada predominantemente pelo Vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus. É mais frequente em adolescentes e adultos jovens, transmitida principalmente pela saliva. Sua importância reside na ampla gama de manifestações e na necessidade de diferenciá-la de outras condições, especialmente faringites bacterianas. O quadro clínico clássico da mononucleose é caracterizado pela tríade de febre, faringite (muitas vezes com exsudato ou placas acinzentadas) e linfadenopatia (especialmente cervical posterior e generalizada). Outros achados comuns incluem fadiga intensa, hepatoesplenomegalia e, ocasionalmente, exantema maculopapular, particularmente se antibióticos como amoxicilina forem administrados. O diagnóstico é suportado por hemograma com linfocitose e presença de linfócitos atípicos, além de elevação das transaminases. Testes sorológicos para EBV confirmam a infecção. O tratamento da mononucleose é sintomático e de suporte, com repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos (paracetamol ou AINEs, com cautela devido à hepatite). Corticosteroides podem ser considerados em casos de obstrução grave das vias aéreas. É crucial orientar o paciente a evitar atividades físicas e esportes de contato por várias semanas devido ao risco de ruptura esplênica. A recuperação completa pode levar semanas a meses, e a fadiga pós-viral é uma queixa comum.
Os achados laboratoriais típicos incluem leucocitose com linfocitose relativa e presença de linfócitos atípicos (>10%), trombocitopenia leve e elevação das transaminases hepáticas (TGO e TGP). Testes sorológicos para EBV ou o teste de Paul-Bunnell (anticorpos heterófilos) confirmam o diagnóstico.
Cerca de 70-90% dos pacientes com mononucleose infecciosa que recebem amoxicilina ou ampicilina desenvolvem um exantema maculopapular difuso. Este não é uma reação alérgica verdadeira à penicilina, mas sim uma reação imunológica específica que ocorre no contexto da infecção por EBV.
As complicações mais comuns incluem ruptura esplênica (rara, mas grave, exigindo evitar esportes de contato), obstrução das vias aéreas superiores por hipertrofia linfática, hepatite, anemia hemolítica, trombocitopenia e, em casos raros, complicações neurológicas como meningite ou encefalite.
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