USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Criança de 4 anos é levada ao consultório com história de febre diária há 6 dias, com picos a cada 8 horas. Passou em atendimento médico há 2 dias, recebendo diagnóstico de amigdalite e prescrita amoxicilina, que já iniciou uso. Há 4 horas, notou aparecimento de rash cutâneo. Mãe está preocupada, pois acha que o antibiótico não está fazendo efeito, além de ter provocado alergia na criança. Na sua avaliação, você identifica que a criança possui placas em ambas as amígdalas e que estas se encontram aumentadas, apresenta ainda adenomegalias cervicais e discreto aumento de baço. O rash cutâneo é maculopapular e morbiliforme difuso, com predomínio no tronco. Os sinais vitais se encontram dentro da normalidade e o aspecto geral da criança é bom. Qual a melhor conduta?
Rash maculopapular após amoxicilina em amigdalite + esplenomegalia/adenomegalia → Suspeitar mononucleose.
A presença de febre prolongada, amigdalite com placas, adenomegalias cervicais e esplenomegalia discreta, associada ao surgimento de rash maculopapular após o uso de amoxicilina, é altamente sugestiva de mononucleose infecciosa (geralmente por EBV). O rash não é uma alergia verdadeira à amoxicilina, mas uma reação comum nessa condição. O tratamento é sintomático.
A mononucleose infecciosa, frequentemente causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), é uma doença comum na infância e adolescência, caracterizada por uma tríade clássica de febre, faringite e linfadenopatia. Em crianças pequenas, a apresentação pode ser mais inespecífica, mas a presença de esplenomegalia e adenomegalias cervicais é um achado importante. O diagnóstico diferencial com amigdalite bacteriana é crucial, pois o tratamento é distinto. Um ponto-chave na mononucleose é a ocorrência de um rash cutâneo maculopapular, morbiliforme, difuso, que surge em grande parte dos pacientes que recebem amoxicilina ou ampicilina durante a fase aguda da doença. Este rash não é uma reação alérgica verdadeira ao antibiótico, mas sim uma reação imunológica específica da interação entre o vírus e o fármaco. É importante orientar os pais sobre essa distinção para evitar a rotulagem de uma alergia medicamentosa. A conduta para a mononucleose infecciosa é de suporte, focando no alívio dos sintomas. Isso inclui repouso, hidratação adequada e uso de analgésicos/antipiréticos. Antibióticos são ineficazes, e seu uso desnecessário pode levar a efeitos adversos ou ao surgimento do rash. A suspensão do antibiótico e a orientação para tratamento sintomático são as medidas corretas, enquanto se monitora a criança para complicações raras, como ruptura esplênica (evitar atividades físicas intensas).
Os sinais clássicos incluem febre prolongada, faringoamigdalite exsudativa, adenomegalia cervical e esplenomegalia. Fadiga e mal-estar são comuns, e o rash maculopapular pode surgir após o uso de amoxicilina.
O rash não é uma alergia verdadeira, mas uma reação imunológica que ocorre em cerca de 90% dos pacientes com mononucleose infecciosa (geralmente por EBV) que recebem amoxicilina ou ampicilina. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas não impede o uso futuro do antibiótico se não houver mononucleose.
O tratamento é primariamente sintomático, incluindo repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos. Antibióticos não são eficazes, e corticosteroides são reservados para complicações graves, como obstrução de vias aéreas ou anemia hemolítica.
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