HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2024
Uma criança de 8 anos foi conduzida pelo pai ao pronto-socorro devido a histórico de febre súbita, registrando até 38,8 ºC nas últimas duas semanas, que parcialmente cede ao uso de antipiréticos, mas retorna. Inicialmente, apresentou tosse, odinofagia, rinorreia e faringite (Figura I). Após atendimento inicial com prescrição de antitérmicos e observação, a criança desenvolveu fadiga intensa, prostração, aumento do volume abdominal e notou-se "caroços no pescoço" (Figura II). Diante desses novos sintomas, foi trazida para reavaliação. O hemograma solicitado revelou uma anemia leve normocítica e normocrômica, enquanto o leucograma quantitativo estava dentro dos parâmetros normais, sem achados relevantes, exceto pela observação em lâmina periférica de um linfócito (Figura III).A partir do quadro clínico exposto, bem como achado de exame complementar e os assuntos correlatos que ele suscita, julgue:O aumento do volume abdominal provavelmente é devido à esplenomegalia que acontece em quantidade razoável do quadro principalmente em crianças pequenas.
Febre + Faringite + Linfadenopatia + Linfocitose Atípica → Mononucleose Infecciosa (EBV).
A mononucleose infecciosa cursa frequentemente com esplenomegalia devido à proliferação linfoide, aumentando o risco de ruptura esplênica em traumas.
A mononucleose infecciosa, causada pelo EBV, é uma síndrome linfoproliferativa benigna. Em crianças, o quadro pode ser mais brando ou atípico, mas a presença de febre prolongada e aumento do volume abdominal deve sempre levantar a suspeita de esplenomegalia. O diagnóstico é clínico-laboratorial, apoiado pela sorologia (anticorpos heterófilos ou específicos) e pelo esfregaço de sangue periférico.
O hemograma geralmente apresenta leucocitose com linfocitose relativa e absoluta, sendo a presença de linfócitos atípicos (células de Downey) superior a 10% um achado altamente sugestivo da infecção pelo EBV.
A esplenomegalia ocorre em cerca de 50% dos casos e torna o baço vulnerável à ruptura, que pode ser espontânea ou traumática. Por isso, recomenda-se evitar esportes de contato por 3 a 4 semanas após o início dos sintomas.
A mononucleose apresenta fadiga intensa, linfadenopatia generalizada (incluindo cadeia posterior) e esplenomegalia, enquanto a faringite estreptocócica é mais localizada e responde rapidamente a antibióticos.
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