HRD - Hospital Rio Doce - Linhares (ES) — Prova 2020
Em uma consulta de pronto atendimento, mãe traz seu filho com relato de febre e exantema. Trata-se de criança do sexo feminino, 1 ano e 1 mês de vida, que, apresenta febre, coriza e tosse de 6 dias de evolução, hipertrofia e hiperemia de amígdalas sem exsudato, linfonodos aumentados em cadeias cervical anterior e posterior e fígado palpável a 3,5cm do rebordo costal direito e baço palpável a 2cm do rebordo costal esquerdo. Mãe relata que no início do quadro procurara atendimento médico sendo prescrito amoxicilina para tratamento de amigdalite. Evoluiu durante todo quadro com persistência de sintomas e exantema morbiliforme difuso. Realizou hemograma por conta própria com evidência de mais de 10% de linfócitos atípicos. Sobre o quadro clínico descrito, é CORRETO afirmar que:
Mononucleose: Febre, adenopatia, hepatoesplenomegalia, linfócitos atípicos + exantema após amoxicilina = diagnóstico provável.
O quadro clínico de febre prolongada, adenopatia, hepatoesplenomegalia e linfocitose atípica é altamente sugestivo de mononucleose infecciosa. O exantema morbiliforme difuso após uso de amoxicilina é um achado clássico na mononucleose, não sendo uma reação alérgica verdadeira à penicilina, mas sim uma interação medicamentosa.
A mononucleose infecciosa, comumente causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), é uma síndrome clínica caracterizada por febre, faringite, adenopatia e fadiga. Em crianças pequenas, a apresentação pode ser mais sutil ou atípica, mas a presença de febre prolongada, linfonodomegalia generalizada, hepatoesplenomegalia e, crucialmente, linfocitose atípica no hemograma, aponta fortemente para o diagnóstico. A transmissão ocorre principalmente pela saliva. Um achado clínico de grande relevância, e que frequentemente confunde, é o desenvolvimento de um exantema morbiliforme difuso após a administração de aminopenicilinas (como amoxicilina) em pacientes com mononucleose. Este exantema não é uma reação alérgica verdadeira à penicilina, mas uma interação medicamentosa específica da infecção por EBV. É vital reconhecer essa distinção para evitar rotular erroneamente o paciente como alérgico à penicilina. O tratamento da mononucleose é primariamente de suporte, com repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos. Antibióticos são desnecessários e devem ser suspensos se iniciados erroneamente. A sorologia para EBV (anticorpos IgM e IgG) pode confirmar o diagnóstico. Residentes devem estar atentos a essa apresentação clássica para evitar tratamentos desnecessários e orientar adequadamente os pais sobre a natureza da doença e a benignidade do exantema induzido por amoxicilina.
A mononucleose infecciosa em crianças frequentemente se manifesta com febre prolongada, fadiga, faringite, adenopatia (especialmente cervical), hepatoesplenomegalia e, em alguns casos, exantema, principalmente se houver uso de amoxicilina.
A presença de mais de 10% de linfócitos atípicos no hemograma é um achado laboratorial clássico e altamente sugestivo de mononucleose infecciosa, embora não seja exclusivo e possa ser visto em outras infecções virais.
O exantema morbiliforme após o uso de amoxicilina (ou outras aminopenicilinas) em pacientes com mononucleose infecciosa não é uma alergia verdadeira, mas uma reação imunológica mediada pelo vírus Epstein-Barr. O antibiótico deve ser suspenso, mas não há contraindicação para penicilinas no futuro.
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