Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico e Rash por Amoxicilina

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Uma jovem de 14 anos procura o pronto-socorro com queixa de dor de garganta, mal-estar geral e febre há 7 dias. Há 3 dias, ela foi atendida em outro serviço e iniciou o uso de amoxicilina por indicação médica. Hoje notou o aparecimento de manchas vermelhas no corpo. Está febril, com faringe e tonsilas palatinas hiperemiadas. Há aumento de gânglios cervicais, principalmente na cadeia cervical anterior e linfadenopatia epitroclear. O exantema é maculopapuloso, localizado em tronco, face e membros superiores. Fígado e baço são palpáveis a 2 cm do rebordo costal. O restante do exame físico é normal. O diagnóstico mais provável é de:

Alternativas

  1. A) Faringite estreptocócica.
  2. B) Escarlatina.
  3. C) Toxoplasmose.
  4. D) Rubéola.
  5. E) Mononucleose infecciosa.

Pérola Clínica

Mononucleose infecciosa + amoxicilina → exantema maculopapuloso; pensar em linfadenopatia generalizada e hepatoesplenomegalia.

Resumo-Chave

A mononucleose infecciosa, causada principalmente pelo EBV, apresenta-se com febre, faringite e linfadenopatia. Um achado clássico é o desenvolvimento de um exantema maculopapuloso após o uso de amoxicilina, que não é uma alergia verdadeira, mas uma reação comum em pacientes com a infecção. A presença de linfadenopatia epitroclear e hepatoesplenomegalia reforça o diagnóstico.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa é uma doença viral aguda, geralmente benigna e autolimitada, causada predominantemente pelo vírus Epstein-Barr (EBV). É mais comum em adolescentes e adultos jovens, transmitida principalmente pela saliva. A importância clínica reside na sua apresentação polimórfica e na necessidade de diferenciação de outras condições, como faringites bacterianas ou outras viroses. O diagnóstico da mononucleose é baseado na tríade clássica de febre, faringite e linfadenopatia, frequentemente acompanhada de fadiga. Achados adicionais como hepatoesplenomegalia e linfadenopatia em cadeias incomuns (ex: epitroclear) são altamente sugestivos. Um ponto crucial é o desenvolvimento de um exantema maculopapuloso após o uso de aminopenicilinas (amoxicilina ou ampicilina), que ocorre em até 90% dos pacientes com mononucleose e não representa uma alergia verdadeira ao antibiótico. O tratamento é sintomático, com repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos. É importante orientar sobre o risco de ruptura esplênica em casos de esplenomegalia, recomendando evitar atividades físicas de contato. Residentes devem estar atentos a essa apresentação para evitar diagnósticos errôneos e manejo inadequado, como a restrição desnecessária de penicilinas no futuro.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da mononucleose infecciosa?

Os sintomas clássicos da mononucleose infecciosa incluem febre, faringite (dor de garganta intensa) e linfadenopatia (aumento dos gânglios linfáticos), frequentemente acompanhados de fadiga intensa, mal-estar e, por vezes, hepatoesplenomegalia.

Por que ocorre exantema com amoxicilina na mononucleose?

O exantema maculopapuloso que surge com o uso de amoxicilina (ou ampicilina) em pacientes com mononucleose não é uma alergia verdadeira ao antibiótico, mas uma reação imunológica comum, cuja fisiopatologia exata ainda não é totalmente compreendida, mas é um forte indício da doença.

Quais achados no exame físico sugerem mononucleose?

Além da faringite e linfadenopatia cervical, a presença de linfadenopatia em cadeias atípicas (como epitroclear) e hepatoesplenomegalia (fígado e baço palpáveis) são achados importantes no exame físico que reforçam a suspeita de mononucleose infecciosa.

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