IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2023
Mulher, 58 anos, comparece em consulta com queixa de dor em uma área localizada à direita do umbigo, sensível ao toque. Nega febre ou fraqueza. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e dislipidemia. Medicações em uso: losartana, atorvastatina, metformina, insulina e aspirina. Exame físico: peso 80 kg; altura 1,6 m; PA 132x84 mmHg; FC 72 bpm; FR 12 irpm. Exame neurológico: área de parestesia e alodínia do lado direito do abdome, que se estende posteriormente, mas não ultrapassa a linha média. O restante do exame neurológico é normal. Exames laboratoriais: creatinina 2,1 mg/dL; hemoglobina glicosilada 7,8%. Exame de urina e eletroforese de proteínas sérica normais. Ressonância de coluna torácica normal. A hipótese diagnóstica é:
Dor abdominal localizada + parestesia/alodínia em faixa, sem cruzar linha média, em diabético → Mononeuropatia diabética.
A mononeuropatia diabética pode se manifestar como dor neuropática toracoabdominal, caracterizada por dor em faixa, parestesia e alodínia, que não ultrapassa a linha média, mimetizando outras condições abdominais ou torácicas.
A neuropatia diabética é uma complicação comum e debilitante do diabetes mellitus, podendo afetar nervos periféricos, autonômicos e cranianos. A mononeuropatia diabética, ou mononeuropatia múltipla, ocorre quando um ou mais nervos específicos são afetados. Uma apresentação menos comum, mas importante de reconhecer, é a radiculopatia toracoabdominal diabética, que se manifesta como dor neuropática em faixa no abdome ou tórax. Essa condição é caracterizada por dor intensa, queimação, parestesia e alodínia (dor a estímulos não dolorosos) em um dermátomo específico, sem cruzar a linha média. O diagnóstico é clínico, baseado na história de diabetes, nas características da dor e na exclusão de outras causas por exames complementares, como ressonância magnética para afastar compressão medular ou outras patologias. O controle glicêmico é crucial para a prevenção e manejo a longo prazo. Para residentes, é vital ter um alto índice de suspeita para neuropatia diabética em pacientes com diabetes e dor atípica, especialmente após a exclusão de causas mais comuns. O reconhecimento precoce evita investigações invasivas desnecessárias e permite o início de tratamento sintomático com analgésicos neuropáticos (gabapentina, pregabalina, antidepressivos tricíclicos) e otimização do controle glicêmico.
A dor na mononeuropatia diabética abdominal é tipicamente localizada, em faixa, acompanhada de parestesia e alodínia, e não ultrapassa a linha média, refletindo o acometimento de um nervo intercostal ou toracoabdominal.
A diferenciação se baseia na história de diabetes, nas características neuropáticas da dor (em faixa, alodínia, parestesia, não cruza a linha média) e na exclusão de outras causas abdominais ou torácicas por exames de imagem e laboratoriais.
O controle glicêmico rigoroso é fundamental para prevenir o desenvolvimento e a progressão da neuropatia diabética, incluindo a mononeuropatia, embora o tratamento da dor aguda possa envolver analgésicos neuropáticos.
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