Monoartrite Aguda: Diagnóstico e Manejo Inicial

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2021

Enunciado

Paciente masculino, de 55 anos, relatando dor nas articulações há aproximadamente 6 anos. Referia ter iniciado o quadro com artrite no joelho esquerdo, de aparecimento súbito e que melhorou em uma semana. Posteriormente, notou a ocorrência de crises mais frequentes nos dois joelhos, em mãos e punhos, tornozelos e pés, de caráter intermitente e sem rigidez matinal ou relatos de podagra. Vem a sua UBS com nova crise de dor, edema, rubor e calor apenas no joelho esquerdo há 3 dias. Sobre este caso é correto:

Alternativas

  1. A) Trata-se de paciente com artrite reumatoide e devemos iniciar corticoide e AINEs.
  2. B) Por ser monoartrite, deve ser puncionado o joelho e afastado diagnóstico de artrite séptica.
  3. C) Provável artrite gotosa, devemos iniciar alopurinol imediatamente.
  4. D) Osteoartrite é um diagnóstico diferencial e não é necessário puncionar a articulação.

Pérola Clínica

Monoartrite aguda com sinais inflamatórios → Punção articular obrigatória para afastar artrite séptica.

Resumo-Chave

Em casos de monoartrite aguda, especialmente com sinais inflamatórios como dor, edema, rubor e calor, a artrite séptica é uma emergência médica. A punção articular para análise do líquido sinovial é crucial para o diagnóstico diferencial e para guiar o tratamento adequado, evitando danos articulares irreversíveis.

Contexto Educacional

A monoartrite aguda é uma condição comum na prática clínica, caracterizada pela inflamação de uma única articulação com início súbito. Sua importância reside na necessidade de rápido diagnóstico e tratamento, especialmente para excluir condições graves como a artrite séptica, que pode levar à destruição articular e sepse se não tratada prontamente. A epidemiologia varia conforme a causa, mas a artrite séptica é mais comum em pacientes com comorbidades, imunossupressão ou próteses articulares. A fisiopatologia da monoartrite aguda envolve a resposta inflamatória local a diversos estímulos, sejam infecciosos (bactérias, vírus), metabólicos (cristais de urato ou pirofosfato de cálcio) ou autoimunes. O diagnóstico diferencial é amplo e exige uma abordagem sistemática. A suspeita de artrite séptica deve ser alta em qualquer paciente com monoartrite aguda, dor intensa, edema, calor, rubor e limitação funcional, mesmo sem febre. A história de crises intermitentes em outras articulações pode sugerir gota ou pseudogota, mas não exclui infecção. O tratamento inicial da monoartrite aguda depende do diagnóstico. No entanto, a conduta prioritária diante da suspeita de artrite séptica é a punção articular diagnóstica e terapêutica, seguida pela antibioticoterapia empírica intravenosa. A análise do líquido sinovial (celularidade, Gram, cultura, pesquisa de cristais) é fundamental para confirmar o diagnóstico e direcionar o tratamento específico. O prognóstico da artrite séptica é melhor com o diagnóstico precoce e tratamento adequado, enquanto o atraso pode resultar em danos articulares permanentes e morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais diagnósticos diferenciais de monoartrite aguda?

Os principais diagnósticos diferenciais incluem artrite séptica, gota, pseudogota, osteoartrite com sinovite, artrite traumática e artrites reativas. A história clínica e a análise do líquido sinovial são fundamentais.

Por que a punção articular é crucial na monoartrite aguda?

A punção articular é crucial para obter líquido sinovial para análise, permitindo identificar a presença de bactérias (artrite séptica), cristais (gota, pseudogota) ou outras alterações que guiam o diagnóstico e o tratamento.

Quais os achados no líquido sinovial que sugerem artrite séptica?

Achados sugestivos de artrite séptica no líquido sinovial incluem contagem de leucócitos >50.000/mm³ (predomínio de neutrófilos), glicose baixa, proteínas elevadas e, principalmente, a presença de bactérias na coloração de Gram e cultura.

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