INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Uma mulher com 28 anos de idade, com classificação pré-anestésica ASA I, será submetida a um procedimento de dermolipectomia abdominal sob anestesia geral. A paciente foi monitorizada com eletrocardiograma, oximetria de pulso e capnografia. Com relação aos procedimentos relacionados à anestesia geral, assinale a alternativa correta:
Anestesia inalatória exige monitorar PA, FC e relaxamento muscular para avaliar profundidade.
A monitorização da profundidade anestésica é multifatorial, integrando sinais vitais e o grau de bloqueio neuromuscular, especialmente em regimes inalatórios.
A anestesia geral moderna foca na tríade: hipnose, analgesia e relaxamento muscular. A segurança do paciente ASA I submetido a procedimentos eletivos depende da monitorização contínua e da escolha técnica adequada. A capnografia e a oximetria são obrigatórias e fundamentais para detectar precocemente eventos adversos ventilatórios. A profundidade anestésica deve ser mantida para evitar tanto a sobredose (com depressão cardiovascular desnecessária) quanto a subdose (risco de despertar intraoperatório). O uso de monitores de profundidade cerebral, embora nem sempre obrigatórios, complementa a avaliação clínica hemodinâmica. A escolha entre indução inalatória e endovenosa deve considerar o perfil do paciente, o risco de aspiração e a experiência do anestesiologista, priorizando sempre a proteção da via aérea.
A avaliação da profundidade anestésica baseia-se em parâmetros clínicos e tecnológicos. Clinicamente, observa-se a estabilidade hemodinâmica (pressão arterial e frequência cardíaca), a presença de sudorese, lacrimejamento e o tamanho pupilar. Contudo, esses sinais podem ser mascarados por medicamentos como betabloqueadores ou opioides. Por isso, a monitorização do relaxamento muscular (através do TOF - Train of Four) e, idealmente, a monitorização da atividade cerebral (como o BIS - Índice Bispectral) são utilizados para garantir que o paciente esteja em plano adequado e evitar a consciência intraoperatória.
A indução endovenosa é o método preferencial na maioria dos adultos devido à sua rapidez (tempo de circulação braço-cérebro), maior conforto e transição suave para o controle da via aérea. Ela permite o uso de agentes como o propofol, que possui início de ação quase imediato. Já a indução inalatória é mais lenta, pode causar agitação psicomotora durante a fase de excitação (Guedel estágio II) e apresenta maior risco de laringoespasmo, sendo reservada principalmente para pediatria ou casos de via aérea difícil prevista.
O relaxamento muscular não é apenas um facilitador cirúrgico, mas também um componente da monitorização da profundidade. Em anestesia inalatória, a resposta motora a estímulos cirúrgicos indica um plano anestésico superficial. Além disso, o uso de bloqueadores neuromusculares exige monitorização rigorosa para garantir a segurança da ventilação e decidir o momento adequado da reversão e extubação. A interação entre o agente inalatório (que possui propriedades miorrelaxantes intrínsecas) e os bloqueadores neuromusculares deve ser cuidadosamente balanceada.
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