Monitorização em Hipertensão e Hipocalemia Perioperatória

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019

Enunciado

T.X., 65 anos, com colecistectomia agendada. A pressão arterial é 230/120 mmHg e o pulso, 60 bpm. Apresenta os seguintes exames: Hematócrito= 38%, Na = 140 mmol/L e K= 2,7 mmol/L. Refere que está em uso das seguintes medicações: propranolol e hidroclorotiazida. Qual deve ser a correta monitorização transoperatória para esse paciente?

Alternativas

Pérola Clínica

PA > 180/110 mmHg ou K+ < 3,0 mEq/L → Adiar cirurgia eletiva + Monitorização invasiva (PAM).

Resumo-Chave

Pacientes com hipertensão estágio 3 e hipocalemia grave apresentam alto risco cardiovascular perioperatório, exigindo estabilização prévia e monitorização rigorosa com linha arterial e ECG contínuo.

Contexto Educacional

O manejo perioperatório de pacientes hipertensos e com distúrbios hidroeletrolíticos é um desafio comum na anestesiologia. A hipertensão estágio 3 (PA ≥ 180/110 mmHg) é um fator de risco independente para complicações cardiovasculares, e a diretriz brasileira recomenda o adiamento de cirurgias eletivas para controle pressórico. A hipocalemia, frequentemente secundária ao uso de diuréticos tiazídicos, deve ser corrigida gradualmente para evitar arritmias. A monitorização padrão para este perfil de paciente inclui ECG contínuo (com análise de segmento ST), oximetria de pulso, capnografia e, crucialmente, a pressão arterial invasiva. A linha arterial permite não apenas a leitura precisa da pressão, mas também a avaliação da responsividade a fluidos e o manejo fino de vasodilatadores endovenosos como o nitroprussiato de sódio ou nitroglicerina.

Perguntas Frequentes

Quando indicar pressão arterial invasiva (PAM) no transoperatório?

A monitorização da pressão arterial invasiva (PAM) está indicada em cirurgias de grande porte, pacientes com instabilidade hemodinâmica, necessidade de coletas frequentes de gasometria ou em casos de hipertensão grave não controlada (estágio 3), onde oscilações bruscas de pressão podem causar eventos coronarianos ou cerebrovasculares. No caso apresentado, a PA de 230/120 mmHg impõe a necessidade de monitorização batimento a batimento para titulação de drogas vasoativas e manutenção da perfusão orgânica.

Qual o risco da hipocalemia grave (K+ 2,7) para a anestesia?

A hipocalemia grave (K+ < 3,0 mEq/L) aumenta significativamente a excitabilidade miocárdica, predispondo a arritmias ventriculares, especialmente sob estresse cirúrgico e uso de agentes anestésicos. Além disso, a hipocalemia pode prolongar o bloqueio neuromuscular e causar íleo paralítico pós-operatório. Em cirurgias eletivas, valores abaixo de 3,0 mEq/L são critérios para adiamento do procedimento até a reposição segura do eletrólito.

Como o uso de propranolol influencia o manejo perioperatório?

Betabloqueadores como o propranolol devem ser mantidos no perioperatório para evitar a síndrome de retirada (hipertensão rebote e taquicardia). No entanto, eles podem mascarar sinais de hipovolemia e hipoglicemia, além de limitar a resposta cronotrópica compensatória. A monitorização deve focar na manutenção da frequência cardíaca e na detecção precoce de bradicardia excessiva ou bloqueios atrioventriculares.

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