Desacelerações Fetais: Tipos e Implicações no Parto

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022

Enunciado

O diagnóstico de trabalho de parto compreende a ocorrência de contrações uterinas e modificações cervicais. Em relação à assistência ao parto, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O primeiro período do trabalho de parto consiste na dilatação cervical e descida do concepto e, durante essa fase, são imprescindíveis a punção venosa e o jejum absoluto.
  2. B) A ocorrência de desacelerações precoces durante o primeiro período do trabalho de parto é acompanhada de hipóxia fetal e implicam a resolução imediata do parto. 
  3. C) As desacelerações tardias associam-se a diminuição do pH fetal e maior morbidade e mortalidade perinatal. 
  4. D) Os puxos (esforços explosivos) devem ser encorajados no primeiro período do trabalho de parto independentemente da dilatação cervical.
  5. E) A monitorização contínua da frequência cardíaca fetal durante o primeiro período do trabalho de parto em gestações de risco habitual apresenta benefícios clínicos evidentes na assistência ao parto, com melhores resultados perinatais em comparação à ausculta intermitente. 

Pérola Clínica

Desacelerações tardias → hipóxia fetal, acidose, ↑ morbimortalidade perinatal.

Resumo-Chave

As desacelerações tardias são um sinal de insuficiência uteroplacentária, indicando hipóxia fetal e acidose. Sua presença requer avaliação imediata e, frequentemente, intervenção para evitar desfechos adversos como acidose metabólica fetal e maior morbidade e mortalidade perinatal.

Contexto Educacional

A monitorização da frequência cardíaca fetal (FCF) é crucial na assistência ao parto para identificar sinais de sofrimento fetal. A cardiotocografia (CTG) é a ferramenta mais utilizada, registrando a FCF e as contrações uterinas. A interpretação correta dos padrões da CTG é fundamental para a tomada de decisão clínica, especialmente em relação às desacelerações. As desacelerações são quedas transitórias na FCF. As desacelerações precoces são simétricas, com início e término coincidentes com a contração, e são benignas. As desacelerações tardias, por outro lado, começam após o pico da contração e terminam após o seu término, indicando insuficiência uteroplacentária e hipóxia fetal, com risco aumentado de acidose e desfechos perinatais adversos. O manejo das desacelerações tardias envolve medidas de reanimação intrauterina e, se não houver melhora, a resolução do parto. A monitorização contínua da FCF é indicada em gestações de alto risco, mas em gestações de risco habitual, a ausculta intermitente é uma alternativa segura e eficaz, com menor taxa de intervenções desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Quais são os tipos de desacelerações na cardiotocografia e o que indicam?

Existem desacelerações precoces (compressão cefálica, benignas), tardias (insuficiência uteroplacentária, hipóxia e acidose) e variáveis (compressão de cordão, podem ser preocupantes dependendo da duração e profundidade).

Qual a conduta diante de desacelerações tardias no trabalho de parto?

A conduta inclui medidas de reanimação intrauterina (mudança de decúbito, oxigênio, hidratação venosa) e, se persistentes ou associadas a outros sinais de sofrimento fetal, considerar a resolução imediata do parto.

Como a monitorização fetal contínua se compara à ausculta intermitente em gestações de baixo risco?

Em gestações de baixo risco, a monitorização contínua não demonstrou benefícios superiores à ausculta intermitente e pode aumentar a taxa de cesarianas e outras intervenções desnecessárias.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo