LES: Exames Essenciais no Seguimento e Monitoramento

HIFA - Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (ES) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 28 anos vai ao consultório para seguimento de lúpus eritematoso sistêmico. A manifestação ao diagnóstico foi nefropatia renal classe 2, artrite, FAN 1/320 padrão nuclear homogêneo e anti-DNA 1/80 (reduziu para 1/10 após o tratamento inicial). A última consulta ocorreu 1 ano atrás. Está assintomática. Faz uso regular de hidroxicloroquina 400mg/dia e prednisona 5mg MID. O exame físico não apresenta anormalidades. Assinale a alternativa que apresenta um exame propedêutico que NÃO está indicado na avaliação periódica dessa paciente.

Alternativas

  1. A) Anti-DNA.
  2. B) Campimetria visual automática.
  3. C) Fator Antinúcleo (FAN).
  4. D) Relação albumina-creatinina na urina.

Pérola Clínica

LES: FAN não monitora atividade; Anti-DNA e relação albumina-creatinina sim. Campimetria para HCQ após 5 anos.

Resumo-Chave

Em pacientes com LES já diagnosticado, o Fator Antinúcleo (FAN) não é útil para monitorar a atividade da doença, pois pode permanecer positivo mesmo em remissão. O Anti-DNA e a relação albumina-creatinina são marcadores mais relevantes para atividade, especialmente renal. A campimetria visual automática para toxicidade da hidroxicloroquina é recomendada anualmente após 5 anos de uso ou em doses elevadas, não rotineiramente no primeiro ano.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica que exige um seguimento rigoroso e exames periódicos para monitorar a atividade da doença, identificar complicações e avaliar a toxicidade dos medicamentos. A nefropatia lúpica, como a classe 2 mencionada na questão, é uma das manifestações mais graves e requer atenção especial, sendo a relação albumina-creatinina na urina um exame fundamental para seu acompanhamento. No monitoramento do LES, marcadores como o anti-DNA são valiosos para avaliar a atividade da doença, especialmente em órgãos como os rins. O Fator Antinúcleo (FAN), embora essencial para o diagnóstico, não é recomendado para o seguimento da atividade, pois pode permanecer positivo independentemente do estado da doença. A hidroxicloroquina, um medicamento amplamente utilizado no LES, pode causar toxicidade retiniana, exigindo avaliações oftalmológicas periódicas, que incluem fundoscopia, OCT e, em estágios mais avançados ou de maior risco, a campimetria visual automática. Para residentes, é crucial diferenciar os exames diagnósticos dos exames de monitoramento e entender a periodicidade e a indicação de cada um. A gestão do LES é complexa e exige uma abordagem individualizada, com foco na prevenção de danos orgânicos e na otimização da qualidade de vida do paciente. O conhecimento aprofundado sobre o papel de cada exame no seguimento é vital para a prática clínica e para a aprovação em provas de residência.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do Anti-DNA no seguimento de pacientes com LES?

O Anti-DNA é um marcador importante da atividade da doença no LES, especialmente em casos de nefrite lúpica. Seus níveis podem flutuar com a atividade da doença, sendo útil para monitorar a resposta ao tratamento e identificar exacerbações.

Quando a campimetria visual automática é indicada para pacientes em uso de hidroxicloroquina?

A campimetria visual automática é parte da avaliação oftalmológica para rastrear toxicidade retiniana da hidroxicloroquina. É recomendada anualmente após 5 anos de uso contínuo ou em pacientes com dose diária superior a 5 mg/kg de peso ideal, devido ao risco acumulado.

Por que o FAN não é útil para monitorar a atividade do LES?

O Fator Antinúcleo (FAN) é um teste de triagem com alta sensibilidade para o diagnóstico de LES, mas sua positividade pode persistir mesmo em remissão da doença. Portanto, não é um bom marcador para monitorar a atividade ou a resposta ao tratamento, diferentemente de outros exames como o anti-DNA e o complemento.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo