HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023
Em uma maternidade de São Paulo, durante a passagem de plantão, dois colegas começam a discutir sobre uma paciente em trabalho de parto: primigesta, 40 semanas e 1 dia, na fase ativa, no segundo período do parto há 2 horas e 45 minutos, em imersão na banheira desde o último toque, com frequência cardíaca fetal: 144 bpm verificada a 25 minutos atrás juntamente com o início de oxitocina em bomba 24 mL/h. A argumentação correta do colega que está pegando o plantão é:
Segundo período do parto com ocitocina → monitoramento FCF a cada 5-15 minutos.
No segundo período do trabalho de parto, especialmente em primigestas e com uso de ocitocina, a avaliação da frequência cardíaca fetal deve ser mais frequente. A verificação a cada 25 minutos é insuficiente e pode atrasar a identificação de sofrimento fetal.
O segundo período do trabalho de parto, que se estende da dilatação cervical completa até o nascimento do bebê, é uma fase crítica que exige vigilância constante. A monitorização da frequência cardíaca fetal (FCF) é essencial para identificar precocemente sinais de sofrimento fetal e intervir quando necessário. Para primigestas, este período pode durar até 2 horas sem analgesia e até 3 horas com analgesia epidural, sendo que a duração prolongada aumenta o risco de complicações maternas e fetais. Em situações de baixo risco, a ausculta intermitente da FCF é recomendada a cada 5 a 15 minutos no segundo período. No entanto, a presença de fatores de risco, como o uso de ocitocina para indução ou aumento das contrações, exige um monitoramento mais intensivo, preferencialmente contínuo ou a cada 5 minutos. A ocitocina pode levar a hiperestimulação uterina, comprometendo a oxigenação fetal e aumentando a necessidade de vigilância. A paciente em questão, uma primigesta no segundo período há 2h45min e recebendo ocitocina, necessita de monitoramento fetal mais frequente do que a cada 25 minutos. A avaliação inadequada da FCF pode mascarar um quadro de hipóxia fetal, comprometendo o bem-estar do recém-nascido. A imersão na banheira, embora possa ser benéfica para o conforto materno, não dispensa a necessidade de monitoramento adequado.
Para gestações de baixo risco, a FCF deve ser avaliada a cada 15 minutos no primeiro período e a cada 5 minutos no segundo período. Em gestações de alto risco ou com uso de ocitocina, o monitoramento contínuo é preferível ou a cada 5 minutos.
Em primigestas, o segundo período do parto é considerado prolongado se exceder 3 horas com analgesia epidural ou 2 horas sem analgesia epidural. A paciente da questão está em 2h45min sem menção de analgesia, o que já se aproxima do limite.
A ocitocina aumenta a frequência e intensidade das contrações uterinas, o que pode reduzir o fluxo sanguíneo uteroplacentário e aumentar o risco de hipóxia fetal. Por isso, seu uso exige monitoramento fetal mais rigoroso e frequente.
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