CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2023
Paciente de 16 anos, sexo masculino, comparece ao pronto socorro queixando-se de irritação no olho direito, com secreção mucoide e períodos de melhora e piora da hiperemia ocular, há dois meses. Não houve resolução do quadro com o uso de colírios antibióticos tópicos (tobramicina por sete dias e depois ciprofloxacino por 14 dias). Durante o exame clínico, foi feita a fotografia a seguir. Sobre o caso descrito e de acordo com a fotografia apresentada, é possível afirmar:
Conjuntivite folicular crônica unilateral → examine a margem palpebral em busca de Molusco Contagioso.
O molusco contagioso na borda palpebral causa conjuntivite folicular crônica por liberação de proteínas virais tóxicas. O tratamento definitivo é a remoção da lesão palpebral.
A conjuntivite folicular crônica é um desafio diagnóstico. As principais causas incluem toxicidade por colírios, clamídia (tracoma ou conjuntivite de inclusão) e molusco contagioso. No caso de um adolescente com quadro unilateral e secreção mucoide que não responde a antibióticos, a suspeita de molusco deve ser alta. A fotografia clínica geralmente revela o nódulo umbilicado na margem. O diagnóstico diferencial com a Doença da Arranhadura do Gato (Bartonella henselae) é importante, mas esta última costuma apresentar a Síndrome Oculoglandular de Parinaud (conjuntivite granulomatosa com linfadenopatia pré-auricular ou submandibular ipsilateral).
O vírus do molusco contagioso (um Poxvírus) infecta as células epiteliais da pálpebra. Quando a lesão está na margem palpebral, partículas virais e detritos celulares são liberados diretamente no filme lacrimal e no saco conjuntival. Isso gera uma reação de hipersensibilidade do tipo folicular e uma ceratoconjuntivite tóxica crônica.
A lesão é tipicamente um pequeno nódulo cupuliforme, cor da pele ou perolado, com uma umbilicação central característica. Pode ser única ou múltipla. Em pacientes imunocomprometidos (como HIV positivos), as lesões podem ser gigantes e disseminadas.
Diferente de outras conjuntivites virais que são autolimitadas, a conjuntivite por molusco só resolve quando a fonte de antígenos virais é removida. A curetagem, excisão simples ou cauterização da lesão palpebral interrompe a liberação de partículas no olho, levando à resolução rápida da inflamação conjuntival.
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