Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019
Uma paciente de trinta anos de idade, em tratamento de mola invasora, com persistência de valores elevados de β-hCG, solicitou aconselhamento de contracepção. Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa correta quanto às opções e contraindicações para a paciente.
Mola invasora com β-hCG elevado → contracepção hormonal (ACOs ou progestógenos) é segura e eficaz.
Em pacientes com mola invasora e β-hCG persistente, a contracepção é fundamental para evitar uma nova gestação que poderia mascarar a monitorização do β-hCG, dificultando o diagnóstico de persistência ou recidiva da doença. Métodos hormonais, como pílulas combinadas ou apenas progestógenos, são considerados seguros e eficazes.
A mola invasora é uma forma de doença trofoblástica gestacional (DTG) caracterizada pela invasão do miométrio por tecido trofoblástico. Após o tratamento inicial, a monitorização dos níveis séricos de β-hCG é essencial para detectar a persistência ou recorrência da doença. Nesse período, a contracepção é de suma importância para evitar uma nova gravidez, que elevaria o β-hCG fisiologicamente, impossibilitando a interpretação dos resultados e o manejo adequado da DTG. Historicamente, havia preocupação de que os contraceptivos hormonais pudessem estimular o crescimento do trofoblasto, mas estudos subsequentes demonstraram que essa preocupação é infundada. Atualmente, pílulas anticoncepcionais combinadas orais (ACOs) e métodos contendo apenas progestógenos (pílulas, injetáveis, implantes) são considerados seguros e altamente eficazes para pacientes em tratamento de mola invasora. Eles não interferem na regressão da doença nem na monitorização do β-hCG. Por outro lado, dispositivos intrauterinos (DIU) são geralmente contraindicados devido ao risco de perfuração uterina, especialmente se houver invasão miometrial. Além disso, o DIU de cobre pode induzir sangramento, o que pode ser confundido com sangramento relacionado à DTG. Métodos de barreira, embora não contraindicados, são menos eficazes e não garantem a ausência de gravidez, o que é crítico para o monitoramento da doença. Portanto, a escolha recai sobre os métodos hormonais para garantir a máxima eficácia contraceptiva e permitir a correta vigilância do β-hCG.
A contracepção é crucial para evitar uma nova gravidez, que resultaria em elevação fisiológica do β-hCG, mascarando a monitorização dos níveis hormonais e dificultando a detecção de persistência ou recorrência da doença trofoblástica gestacional.
Pílulas anticoncepcionais combinadas orais ou pílulas contendo apenas progestógenos são as opções mais recomendadas. Elas são eficazes e não demonstraram aumentar o risco de persistência ou recorrência da doença.
Dispositivos intrauterinos (DIU) são geralmente contraindicados devido ao risco de perfuração uterina em um útero que pode estar friável, especialmente se houver invasão miometrial. Além disso, o DIU de cobre pode causar sangramento, confundindo com a doença. Métodos de barreira são menos eficazes e não são ideais para garantir a não-gravidez.
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