INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Mulher com 20 anos de idade desenvolveu quadro de doença trofoblástica gestacional em sua primeira gestação. Foi submetida a esvaziamento uterino por vácuo-aspiração e iniciou o seguimento pós-molar. Após quatro semanas de acompanhamento, apresentou vários episódios de sangramento vaginal moderado, com três níveis ascendentes das dosagens de gonadotrofina coriônica humana. Procurou a Emergência Obstétrica, onde foi prontamente atendida, após episódio de sangramento vaginal intenso. Na ocasião, ao exame pélvico, não foi evidenciada lesão genital. Radiografia simples do tórax foi normal. Ultrassonografia transvaginal mostrou cavidade endometrial distendida por material amorfo sugestivo de coágulos sanguíneos e miométrio heterogêneo, com vascularização exuberante à dopplerfluxometria. Assinale a alternativa que contém diagnóstico e conduta indicados para este caso:
hCG ascendente ou em platô após esvaziamento molar = Neoplasia Trofoblástica Gestacional.
O diagnóstico de Mola Invasora é clínico-laboratorial, baseado na curva de hCG e achados de invasão miometrial, sendo o tratamento de escolha a quimioterapia.
A Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) engloba formas benignas (mola hidatiforme completa e parcial) e malignas (mola invasora, coriocarcinoma, tumor trofoblástico do sítio placentário e tumor trofoblástico epitelioide). A mola invasora caracteriza-se pela penetração das vilosidades coriais no miométrio. O seguimento pós-molar com dosagens semanais de hCG é crucial para a detecção precoce da malignização. Uma vez diagnosticada a NTG, deve-se realizar o estadiamento (FIGO) para definir o protocolo quimioterápico adequado.
O diagnóstico de NTG pós-molar é estabelecido quando: 1) Os níveis de hCG permanecem em platô (variação <10%) por 4 medidas em 3 semanas; 2) Os níveis de hCG apresentam elevação (>10%) por 3 medidas em 2 semanas; 3) O hCG permanece elevado por mais de 6 meses; ou 4) Há diagnóstico histopatológico de coriocarcinoma ou tumor do sítio placentário.
A mola invasora é uma neoplasia altamente quimiossensível. Como o tumor invade o miométrio de forma difusa ou focal, a cirurgia (histerectomia) seria definitiva mas retiraria a capacidade reprodutiva da paciente, que geralmente é jovem. A quimioterapia (frequentemente com Metotrexato em casos de baixo risco) oferece altas taxas de cura com preservação uterina.
A ultrassonografia com Doppler é fundamental para avaliar a invasão miometrial. Achados de áreas hipoecoicas no miométrio com vascularização exuberante e baixa resistência (shunts arteriovenosos) corroboram o diagnóstico de mola invasora, ajudando a diferenciar de restos ovulares simples.
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