Mola Hidatiforme Parcial: Cariótipo e Seguimento

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2023

Enunciado

Paciente, 42 anos, é atendida na maternidade devido achado de óbito fetal intraútero de 11 semanas de idade gestacional, identificado em ultrassonografia de rotina. A equipe de plantão decide por realizar uma aspiração manual intraútero (AMIU) e enviar o material para anatomia patológica. No retorno ambulatorial após 30 dias, o laudo do histopatológico dessa AMIU informa achado compatível com mola hidatiforme parcial. Sobre esse caso clínico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) o cariótipo desse feto apresenta trissomia do cromossomo 21, do cromossomo 18 ou do cromossomo 13.
  2. B) a paciente é considerada curada após a AMIU e pode ser liberada para uma nova gestação após esta consulta.
  3. C) deve ser solicitado nessa consulta uma dosagem de beta-HCG, seguido de dosagens mensais durante 12 meses, independente do resultado desse primeiro exame.
  4. D) o cariótipo desse feto é triploide.
  5. E) esta paciente deve ser encaminhada para quimioterapia após esta consulta.

Pérola Clínica

Mola hidatiforme parcial = cariótipo triploide (69, XXX ou XXY); requer seguimento de beta-HCG até remissão.

Resumo-Chave

A mola hidatiforme parcial é caracterizada por um cariótipo triploide (69, XXX ou XXY), resultante da fertilização de um óvulo por dois espermatozoides. Após a evacuação, é crucial o seguimento rigoroso dos níveis de beta-HCG para detectar doença trofoblástica gestacional persistente.

Contexto Educacional

A mola hidatiforme é a forma mais comum de doença trofoblástica gestacional (DTG), caracterizada pela proliferação anormal do trofoblasto. Existem dois tipos principais: completa e parcial, que se diferenciam por suas características histopatológicas, cariótipo e potencial de malignização. A mola hidatiforme parcial, como no caso clínico, é tipicamente triploide, com a presença de tecido fetal e degeneração hidrópica focal das vilosidades. O diagnóstico é frequentemente feito após a evacuação uterina de um abortamento, com o exame anatomopatológico do material. Após a evacuação, o manejo mais crítico é o seguimento dos níveis séricos de beta-HCG. Este monitoramento é essencial para detectar a persistência da doença trofoblástica, que pode evoluir para DTG persistente ou coriocarcinoma, exigindo quimioterapia. O cariótipo triploide (69, XXX, XXY ou XYY) é a marca genética da mola parcial, distinguindo-a de outras aneuploidias ou da mola completa. Residentes devem compreender a patogênese, o diagnóstico histopatológico e, principalmente, a importância do seguimento pós-evacuação para garantir a detecção precoce e o tratamento de complicações, evitando a liberação prematura da paciente para uma nova gestação.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre mola hidatiforme completa e parcial em termos de cariótipo?

A mola hidatiforme completa geralmente tem cariótipo diploide (46, XX ou 46, XY), de origem paterna exclusiva. A mola hidatiforme parcial, por sua vez, apresenta cariótipo triploide (69, XXX, 69, XXY ou 69, XYY), resultante da fertilização de um óvulo por dois espermatozoides.

Qual a conduta após o diagnóstico de mola hidatiforme parcial?

Após o diagnóstico, a conduta inicial é a evacuação uterina, preferencialmente por aspiração manual intrauterina (AMIU) ou vácuo-aspiração. O material deve ser enviado para anatomia patológica. O mais importante é o seguimento rigoroso dos níveis séricos de beta-HCG.

Como é feito o seguimento de beta-HCG após a evacuação de uma mola hidatiforme?

O seguimento envolve dosagens semanais de beta-HCG até que os níveis se tornem indetectáveis por três semanas consecutivas. Após a normalização, o monitoramento é mensal por um período que varia de 6 a 12 meses, dependendo do tipo de mola e do risco de doença trofoblástica gestacional persistente.

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