Mola Hidatiforme: Tipos, Citogenética e Manejo Clínico

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Em relação à mola hidatiforme, pode-se afirmar que

Alternativas

  1. A) as gestações, 6 meses após o tratamento, apresentam maiores riscos materno-fetais.
  2. B) os ovários com cistos tecaluteínicos volumosos devem ser retirados.
  3. C) a dosagem da gonadotrofina coriônica em platô pode sugerir remissão da doença.
  4. D) a ausência do desenvolvimento embrionário melhora o prognóstico da doença.
  5. E) a mola parcial tem citogenética triploide (69,XXX ou 69,XXY) na maioria das vezes.

Pérola Clínica

Mola parcial = cariótipo triploide (69,XXX ou 69,XXY), com tecido fetal presente.

Resumo-Chave

A mola hidatiforme parcial é caracterizada pela presença de tecido fetal e um cariótipo triploide (69,XXX ou 69,XXY), resultante da fertilização de um óvulo por dois espermatozoides. Isso a diferencia da mola completa, que não possui tecido fetal e tem cariótipo diploide (46,XX ou 46,XY) de origem paterna.

Contexto Educacional

A mola hidatiforme é a forma mais comum de doença trofoblástica gestacional, caracterizada por uma proliferação anormal do trofoblasto. É crucial para o ginecologista-obstetra e o residente compreender suas classificações, características e manejo devido ao potencial de malignização. Existem dois tipos principais de mola hidatiforme: completa e parcial. A mola completa é caracterizada pela ausência de tecido fetal, degeneração hidrópica difusa das vilosidades coriônicas e proliferação trofoblástica exuberante. Citogeneticamente, é diploide (46,XX ou 46,XY), com todo o material genético de origem paterna. Já a mola parcial apresenta tecido fetal (embrião ou feto malformado), degeneração hidrópica focal das vilosidades e proliferação trofoblástica menos intensa. Seu cariótipo é triploide (69,XXX ou 69,XXY), resultado da fertilização de um óvulo por dois espermatozoides. O diagnóstico é feito por ultrassonografia e confirmado por anatomopatológico após esvaziamento uterino. O seguimento pós-tratamento é essencial e envolve a dosagem seriada da gonadotrofina coriônica humana (hCG). Níveis de hCG em platô ou ascendentes após o esvaziamento sugerem doença trofoblástica gestacional persistente, que pode exigir quimioterapia. Os cistos tecaluteínicos, comuns em casos de mola completa com altos níveis de hCG, são benignos e regridem espontaneamente, não necessitando de intervenção cirúrgica. A ausência de desenvolvimento embrionário na mola completa, ao contrário do que se possa pensar, não melhora o prognóstico, mas sim aumenta o risco de malignização em comparação com a mola parcial. O risco de gestações futuras é baixo, e a recomendação é aguardar um período de 6 a 12 meses após a normalização do hCG antes de uma nova gravidez.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença citogenética entre mola hidatiforme parcial e completa?

A mola completa geralmente tem cariótipo diploide (46,XX ou 46,XY), de origem paterna, sem tecido fetal. A mola parcial tem cariótipo triploide (69,XXX ou 69,XXY), resultante da fertilização de um óvulo por dois espermatozoides, e pode apresentar tecido fetal.

Qual o significado dos cistos tecaluteínicos na mola hidatiforme?

Cistos tecaluteínicos são cistos ovarianos benignos que se desenvolvem em resposta à estimulação excessiva do ovário por altos níveis de hCG. Geralmente regridem espontaneamente após a remoção da mola e não devem ser retirados cirurgicamente.

Como é feito o seguimento após o tratamento da mola hidatiforme?

O seguimento é feito com dosagens semanais de hCG sérico até a normalização por três semanas consecutivas, e depois mensalmente por 6 a 12 meses, dependendo do tipo de mola e do risco. A persistência de hCG elevado ou em platô pode indicar doença trofoblástica gestacional persistente.

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