Mola Hidatiforme: Diagnóstico e Abordagem Terapêutica

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 42 anos procura a emergência relatando náuseas e vômitos com alguns dias de evolução. Na anamnese, diz ser sexualmente ativa, não usar contraceptivos hormonais ou método de barreira e refere data da última menstruação há 10 semanas. Laboratório demonstrou beta-hCG elevado para o tempo de amenorreia. Na ultrassonografia, observou- se as imagens a seguirObserva-se ovário aumentado de volume e multiloculado e corte sagital do útero com cavidade endometrial ecogênica com cistos anecoicos de permeio.Diante do caso, o diagnóstico mais provável e a abordagem terapêutica a ser realizada inicialmente, são:

Alternativas

  1. A) doença trofoblástica gestacional – esvaziamento uterino cuidadoso e imunoglobulina anti-D, se necessário
  2. B) gestação inicial em curso em que ainda não se visualiza o embrião – conduta conservadora 
  3. C) adenomiose profunda – histerectomia com anexectomia
  4. D) torção de anexo – anexectomia

Pérola Clínica

β-hCG muito ↑ + USG 'tempestade de neve' + cistos tecaluteínicos = Mola Hidatiforme. Tratamento: esvaziamento uterino.

Resumo-Chave

O quadro clínico de náuseas e vômitos intensos, amenorreia, β-hCG muito elevado para a idade gestacional e achados ultrassonográficos de útero com cavidade endometrial ecogênica com cistos anecoicos ('tempestade de neve') e ovários aumentados com cistos tecaluteínicos são altamente sugestivos de mola hidatiforme. O tratamento inicial é o esvaziamento uterino cuidadoso.

Contexto Educacional

A doença trofoblástica gestacional (DTG), especialmente a mola hidatiforme, é uma condição rara mas importante na obstetrícia, caracterizada por uma proliferação anormal do trofoblasto. O diagnóstico precoce é crucial devido ao risco de complicações, como hemorragia e transformação maligna em coriocarcinoma. O quadro clínico típico inclui amenorreia, náuseas e vômitos exacerbados, sangramento vaginal e um útero maior que o esperado para a idade gestacional. Laboratorialmente, observa-se uma elevação desproporcional dos níveis de β-hCG. A ultrassonografia é o pilar diagnóstico, revelando um padrão ecogênico heterogêneo na cavidade uterina com múltiplas áreas císticas, conhecido como 'tempestade de neve' ou 'cachos de uva', e frequentemente cistos tecaluteínicos nos ovários. A abordagem terapêutica inicial é o esvaziamento uterino, geralmente por aspiração a vácuo, que deve ser realizado com cuidado para evitar perfuração uterina. Após o procedimento, é mandatório o acompanhamento rigoroso dos níveis de β-hCG para detectar qualquer persistência da doença. Em pacientes Rh negativo, a administração de imunoglobulina anti-D é indicada para prevenir a aloimunização, assim como em qualquer gestação que não chegue a termo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas mais comuns da mola hidatiforme?

Os sintomas incluem sangramento vaginal irregular, náuseas e vômitos intensos (hiperemese gravídica), útero maior do que o esperado para a idade gestacional, ausência de batimentos cardíacos fetais e, em alguns casos, pré-eclâmpsia precoce. A elevação acentuada do β-hCG é um achado laboratorial importante.

Como a ultrassonografia auxilia no diagnóstico da mola hidatiforme?

A ultrassonografia transvaginal é fundamental, revelando uma massa intrauterina heterogênea com múltiplas áreas císticas anecoicas, que dão o aspecto de 'cachos de uva' ou 'tempestade de neve'. Ovários aumentados com cistos tecaluteínicos também podem ser observados devido à estimulação excessiva pelo β-hCG.

Qual a conduta inicial para o tratamento da mola hidatiforme?

A abordagem terapêutica inicial para a mola hidatiforme é o esvaziamento uterino, preferencialmente por aspiração a vácuo, seguido de curetagem para garantir a remoção completa do tecido molar. Após o esvaziamento, é crucial o acompanhamento seriado dos níveis de β-hCG para monitorar a regressão e detectar doença trofoblástica gestacional persistente.

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