Mola Hidatiforme: Diagnóstico e Tratamento Inicial

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 16 anos, primigesta, relata que há 1 mês apresentou episódio de sangramento vaginal com teste de gravidez positivo e foi informada que apresentou um aborto espontâneo, que foi conduzido sem realizar curetagem. Porém, há 10 dias voltou a apresentar sangramento vaginal associado a quadro de vômitos. Os exames complementares evidenciaram beta-HCG 212.000 mUI/mL e imagem de “flocos de neve” no interior do útero à USG. O tratamento inicial recomendado para essa paciente é:

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia de amplo espectro.
  2. B) Histerectomia.
  3. C) Quimioterapia.
  4. D) Esvaziamento da cavidade uterina por aspiração a vácuo.
  5. E) Indução com misoprostol.

Pérola Clínica

Sangramento pós-aborto + β-HCG muito alto + USG 'flocos de neve' → Mola Hidatiforme. Tto inicial: Esvaziamento uterino por aspiração.

Resumo-Chave

O quadro clínico de sangramento vaginal persistente após um aborto espontâneo, associado a níveis extremamente elevados de beta-HCG (212.000 mUI/mL) e a imagem ultrassonográfica de 'flocos de neve' no útero, é altamente sugestivo de Mola Hidatiforme, uma forma de Doença Trofoblástica Gestacional. O tratamento inicial e mais adequado para a mola hidatiforme é o esvaziamento da cavidade uterina, preferencialmente por aspiração a vácuo, para remover o tecido trofoblástico anormal.

Contexto Educacional

A mola hidatiforme é a forma mais comum de doença trofoblástica gestacional (DTG), caracterizada por uma proliferação anormal do trofoblasto. Embora seja uma condição rara, é importante reconhecê-la devido ao seu potencial de malignização para doença trofoblástica gestacional persistente ou coriocarcinoma. Clinicamente, a mola pode se apresentar com sangramento vaginal irregular, hiperemese gravídica e um útero maior do que o esperado para a idade gestacional. O diagnóstico é fortemente sugerido por níveis séricos de beta-HCG desproporcionalmente elevados e confirmado por ultrassonografia. A fisiopatologia envolve uma fertilização anormal, resultando em um cariótipo diploide (na mola completa, 46,XX ou 46,XY, ambos de origem paterna) ou triploide (na mola parcial, 69,XXY, com contribuição materna e paterna). A imagem ultrassonográfica clássica de 'flocos de neve' ou 'cacho de uvas' é patognomônica da mola completa, refletindo a degeneração hidrópica das vilosidades coriônicas. A suspeita deve ser alta em pacientes com sangramento pós-aborto ou gestação anembrionária com HCG persistentemente alto. O tratamento inicial e definitivo da mola hidatiforme é o esvaziamento da cavidade uterina, sendo a aspiração a vácuo o método de escolha devido à sua eficácia e menor risco de complicações em comparação com a curetagem. Após o esvaziamento, é crucial um acompanhamento rigoroso dos níveis séricos de beta-HCG até a sua negativação e por um período de seis a doze meses, para monitorar a regressão da doença e detectar precocemente qualquer persistência ou malignização. A quimioterapia é reservada para casos de doença trofoblástica gestacional persistente ou metastática, e a histerectomia pode ser considerada em mulheres que não desejam mais gestar e têm alto risco de complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da mola hidatiforme?

Os principais sinais e sintomas incluem sangramento vaginal irregular, útero maior que o esperado para a idade gestacional, náuseas e vômitos excessivos (hiperemese gravídica), e níveis de beta-HCG anormalmente elevados. Em alguns casos, pode haver eliminação de vesículas pela vagina.

Como a ultrassonografia auxilia no diagnóstico da mola hidatiforme?

A ultrassonografia é crucial para o diagnóstico, revelando uma imagem característica de 'flocos de neve' ou 'cacho de uvas' no interior do útero, que corresponde ao tecido trofoblástico edemaciado e às vesículas hidrópicas, sem a presença de feto ou embrião viável (na mola completa).

Qual o tratamento inicial recomendado para a mola hidatiforme?

O tratamento inicial e de escolha para a mola hidatiforme é o esvaziamento da cavidade uterina, preferencialmente por aspiração a vácuo. Este procedimento visa remover todo o tecido trofoblástico anormal, minimizando o risco de complicações e de doença trofoblástica gestacional persistente.

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