AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Atraso menstrual de 12 semanas com queixa de sangramento vaginal, dores em hipogástrio e vômitos. Exame de Beta-hCG 278.000 UI/L e ultrassom com útero volumoso e cistos tecaluteínicos bilaterais de 8 cm. Foi submetida a procedimento cirúrgico e o anátomo patológico revelou hidropsia vilosa difusa e hiperplasia trofoblástica difusa com ausência de tecido fetal. O diagnóstico desta paciente é:
Beta-hCG ↑↑↑ + Útero > IG + 'Flocos de neve' + Ausência de feto = Mola Hidatiforme Completa.
A mola completa resulta da fertilização de um oócito 'vazio' por um espermatozoide (diploidia paterna), caracterizando-se por edema generalizado das vilosidades e ausência de partes fetais.
A mola hidatiforme completa é a forma mais comum de Doença Trofoblástica Gestacional benigna. Clinicamente, manifesta-se com sangramento vaginal no primeiro trimestre, útero maior que o esperado para a idade gestacional, hiperêmese gravídica severa e, ocasionalmente, pré-eclâmpsia precoce (antes de 20 semanas). O diagnóstico é sugerido pela ultrassonografia, que revela o aspecto de 'tempestade de neve' ou 'cachos de uva' (vilosidades hidrópicas) e ausência de saco gestacional ou feto. O tratamento padrão é o esvaziamento uterino por vácuo-aspiração manual ou elétrica. A curetagem cortante deve ser evitada pelo risco de perfuração uterina. O diagnóstico definitivo é histopatológico, demonstrando edema generalizado das vilosidades coriais e hiperplasia trofoblástica circunferencial. O risco de progressão para neoplasia trofoblástica gestacional é de cerca de 15-20% na mola completa, exigindo monitoramento rigoroso do Beta-hCG.
A mola hidatiforme completa é geralmente diploide (46,XX ou 46,XY), com todo o material genético de origem paterna (androgênese), ocorrendo quando um espermatozoide fertiliza um óvulo sem núcleo funcional e duplica seu DNA. Já a mola hidatiforme parcial é triploide (geralmente 69,XXY), resultando da fertilização de um óvulo normal por dois espermatozoides. Essa diferença genética explica por que na mola completa não há tecido fetal e a hiperplasia trofoblástica é difusa, enquanto na parcial há presença de tecido fetal/embrionário e a hiperplasia é focal.
Os cistos tecaluteínicos são formações ovarianas bilaterais e multiloculadas que surgem devido à hiperestimulação dos ovários por níveis extremamente elevados de Beta-hCG, que compartilha a subunidade alfa com o LH. Eles são mais comuns na mola hidatiforme completa devido à produção maciça de hCG pelo trofoblasto hiperplásico. Geralmente, esses cistos são benignos e regridem espontaneamente após o esvaziamento uterino e a normalização dos níveis de hCG, não necessitando de intervenção cirúrgica a menos que ocorra torção ou ruptura com hemorragia.
O seguimento pós-molar é crucial para detectar precocemente a neoplasia trofoblástica gestacional (NTG). Ele consiste na dosagem semanal de Beta-hCG até que se obtenham três valores negativos consecutivos. Após a negativação, as dosagens passam a ser mensais por 6 meses. Durante este período, a paciente deve utilizar contracepção rigorosa (preferencialmente anticoncepcionais orais, evitando o DIU até a negativação) para que uma nova gravidez não mascare uma possível elevação de hCG decorrente de persistência da doença ou transformação maligna (mola invasora ou coriocarcinoma).
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