PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2019
Paciente SN, 26 anos, chega ao PA obstétrico devido a sangramento vaginal de moderada quantidade associado a náuseas e vômitos, nega outras queixas. Não apresenta comorbidades, nega vícios. G1 P 0, atraso menstrual calculado pela DUM de 6 semanas. Ao exame físico: PA: 108 x 51 mmHg; FC: 80 bpm; corada, hidratada. Abdome: útero palpado 2 cm abaixo da cicatriz umbilical; exame especular: sangramento de moderada quantidade exteriorizando-se pelo orifício cervical externo. Realizou exames complementares: Ultrassonografia pélvica ginecológica com útero em AVF de 1421 cm3, homogêneo, cavidade uterina com conteúdo heterogêneo por múltiplas áreas císticas, embrião não visualizado. Fundo de saco livre e ovários não visualizados. Exames laboratoriais: Hb 12,1; Hematócrito 36,6; leucócitos 8.950; plaquetas 185.000; Tipo sanguíneo A+; Creatinina 0,5; TGO:20; TGP: 19; TSH: 0,01; Beta-hCG: 655.921,8 mUI/mL. Radiografia de tórax: sem alterações. O médico que atendeu a paciente diagnosticou-a como doença trofoblástica gestacional. A paciente foi submetida a Aspiração Manual Intra Uterina e o laudo da anatomia patológica foi constatado mola completa. Sobre o caso clínico apresentado, assinale CERTO para verdadeiro e ERRADO para falso para a afirmação a seguir: Do ponto de vista histológico, na mola completa as vilosidades se encontram alteradas, hidrópicas, repletas de líquido e presença de hemácia fetal e vasos nessas vilosidades.
Mola Completa = 46,XX (paterno), sem feto/vasos, vilosidades hidrópicas. Mola Parcial = Triploide, tem feto/vasos.
A mola completa caracteriza-se pela ausência de tecido fetal e vasos sanguíneos vilositários, resultando de uma fecundação de óvulo 'vazio' por um ou dois espermatozoides.
A Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) engloba um espectro de patologias que surgem de uma proliferação anormal do trofoblasto. A mola hidatiforme completa é a forma mais comum e possui maior potencial de malignização para neoplasia trofoblástica gestacional (NTG). O diagnóstico é sugerido por níveis de hCG astronômicos e imagem ultrassonográfica em 'tempestade de neve' ou 'cachos de uva'. O tratamento padrão é o esvaziamento uterino, preferencialmente por vácuo-aspiração ou AMI (Aspiração Manual Intrauterina). O seguimento pós-molar é crítico, com dosagens semanais de hCG até a negativação (três valores normais consecutivos), seguido de dosagens mensais por 6 meses, para garantir que não haja evolução para coriocarcinoma ou mola invasiva.
A mola completa apresenta edema generalizado das vilosidades coriais (vilosidades hidrópicas), hiperplasia trofoblástica difusa e ausência total de tecido fetal, vasos sanguíneos vilositários e hemácias fetais. Já a mola parcial apresenta edema vilositário focal, hiperplasia trofoblástica leve e, crucialmente, pode apresentar tecido fetal, vasos e hemácias fetais, devido ao seu cariótipo triploide.
A mola completa é geralmente diploide (46,XX ou 46,XY), mas todo o material genético é de origem paterna (androgênese). Isso ocorre quando um espermatozoide fecunda um óvulo sem material genético funcional e duplica seu DNA, ou quando dois espermatozoides fecundam um óvulo vazio. A ausência de DNA materno impede o desenvolvimento embrionário.
Os sinais incluem sangramento vaginal de repetição (aspecto em 'suco de ameixa'), útero maior que o esperado para a idade gestacional, níveis de Beta-hCG excessivamente elevados (frequentemente > 100.000 mUI/mL), hiperêmese gravídica intensa e, em casos graves, pré-eclâmpsia precoce (antes de 20 semanas) e hipertireoidismo secundário à estimulação do TSH pelo hCG.
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