UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2020
Mulher, sem doenças prévias, procura atendimento de emergência com queixa de sangramento vaginal, enjôos e vômitos. Relata estar grávida de 3 meses mas ainda não realizou ultrassonografias ou iniciou pré-natal. Exame especular: sangramento pelo colo uterino com saída de vesículas. Ela está desidratada, com pressão arterial de 140 X 100mmHg. O exame de beta-HCG quantitativo foi de 400.000mU/mL. Ultrassonografia na emergência: útero cheio de material ecogênico contendo múltiplas vesículas anecoicas sem fluxo ao Doppler e sem visualização do feto. Os ovários encontram-se bastante aumentados de volume com múltiplos cistos multiloculados. Diante destes achados, a hipótese diagnóstica mais provável é:
Mola hidatiforme completa: sangramento + β-HCG muito ↑ + útero vesiculado + cistos teca-luteínicos + ausência de feto.
A mola hidatiforme completa é caracterizada por níveis extremamente elevados de beta-HCG, sangramento vaginal, útero com aspecto de "cacho de uva" na ultrassonografia (múltiplas vesículas anecoicas), ausência de feto e frequentemente associada a cistos teca-luteínicos ovarianos e pré-eclâmpsia precoce.
A doença trofoblástica gestacional (DTG) abrange um espectro de condições que incluem a mola hidatiforme (completa e parcial), mola invasora, coriocarcinoma e tumor trofoblástico de sítio placentário. A mola hidatiforme completa é uma forma de DTG benigna, mas com potencial de malignização, sendo um tópico de grande relevância em ginecologia e obstetrícia para provas de residência. A mola hidatiforme completa é resultado da fertilização de um óvulo sem material genético por um ou dois espermatozoides, resultando em um cariótipo diploide (46,XX ou 46,XY) de origem paterna. Clinicamente, manifesta-se com sangramento vaginal no primeiro ou segundo trimestre, hiperemese gravídica severa, útero maior que o esperado e, em alguns casos, pré-eclâmpsia precoce. Os níveis de beta-HCG são marcadamente elevados. O diagnóstico é confirmado pela ultrassonografia, que mostra o útero preenchido por vesículas (aspecto de "cacho de uva" ou "tempestade de neve") e ausência de feto. O tratamento primário é o esvaziamento uterino por aspiração a vácuo, seguido de um rigoroso acompanhamento dos níveis de beta-HCG para detectar doença persistente ou malignização. A presença de cistos teca-luteínicos ovarianos é uma resposta à estimulação excessiva do HCG.
Os achados incluem sangramento vaginal irregular, hiperemese gravídica (náuseas e vômitos intensos), útero maior que o esperado para a idade gestacional, pré-eclâmpsia precoce (antes de 20 semanas) e, em casos mais avançados, tireotoxicose.
A ultrassonografia revela um útero preenchido por material ecogênico heterogêneo com múltiplas áreas císticas anecoicas (aspecto de "tempestade de neve" ou "cacho de uva"), ausência de feto ou saco gestacional e, frequentemente, cistos teca-luteínicos nos ovários.
O beta-HCG está extremamente elevado na mola hidatiforme completa (geralmente > 100.000 mUI/mL). Seus níveis são cruciais para o diagnóstico e, após o esvaziamento uterino, para o acompanhamento da regressão da doença e detecção de doença trofoblástica gestacional persistente.
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