CHN - Complexo Hospitalar de Niterói (RJ) — Prova 2020
Primigesta, 40 anos submetida ao esvaziamento de Mola Hidatiforme completa há 42 dias tem os seguintes valores de hCG= 80.000mUI/mL, 7.000mUI/mL, 3.000mUL/mL, respectivamente: pré-esvaziamento, 28 e 35 dias após. Apresenta sangramento genital discreto há 3 dias. Assinale a alternativa CORRETA.
Seguimento pós-molar: Queda progressiva do β-hCG + sangramento discreto = evolução normal.
Após o esvaziamento de mola hidatiforme, a queda progressiva dos níveis de β-hCG é o principal indicador de boa evolução. O sangramento discreto pode ocorrer e, na ausência de platô ou elevação do hCG, não indica necessariamente malignidade, mas sim a necessidade de continuar o seguimento.
A mola hidatiforme é a forma mais comum de doença trofoblástica gestacional, caracterizada pela proliferação anormal do trofoblasto. Após o esvaziamento uterino, o seguimento rigoroso com dosagens semanais de β-hCG é fundamental para monitorar a regressão da doença e identificar precocemente a evolução para neoplasia trofoblástica gestacional (NTG). A persistência ou elevação dos níveis de β-hCG após o esvaziamento é o principal indicador de NTG. No caso apresentado, os níveis de β-hCG estão em queda progressiva (80.000 → 7.000 → 3.000 mUI/mL), o que é um sinal de boa evolução. O sangramento genital discreto pode ocorrer no período pós-esvaziamento e, na ausência de outros sinais de complicação ou de elevação do β-hCG, não é um indicativo de malignidade por si só. A conduta correta é continuar o seguimento semanal do β-hCG até que os níveis se tornem indetectáveis (< 5 mUI/mL) por três semanas consecutivas, e então mensalmente por seis meses. A quimioterapia profilática não é recomendada de rotina, e a ultrassonografia pélvica para afastar restos molares só seria indicada se houvesse platô ou elevação do β-hCG, ou sangramento profuso. A histerectomia profilática é uma medida extrema e não indicada para a maioria dos casos, especialmente em pacientes que desejam preservar a fertilidade. O conhecimento dos critérios de diagnóstico de NTG e do protocolo de seguimento é crucial para o manejo adequado dessas pacientes.
Os critérios da FIGO para NTG pós-molar incluem platô de β-hCG por 3 semanas, elevação de β-hCG em 2 dosagens consecutivas por 2 semanas, β-hCG detectável 6 meses após o esvaziamento, ou diagnóstico histopatológico de coriocarcinoma.
O β-hCG é um marcador tumoral produzido pelo trofoblasto. Sua dosagem seriada permite monitorar a regressão da doença após o esvaziamento e detectar precocemente a persistência ou recorrência do tecido trofoblástico, indicando a necessidade de tratamento para NTG.
A quimioterapia profilática não é rotineiramente indicada após o esvaziamento de mola hidatiforme completa. Ela é reservada para casos de alto risco de NTG, como níveis muito elevados de hCG pré-esvaziamento, útero muito grande, idade avançada ou dificuldade de seguimento, mas a tendência atual é aguardar os critérios de NTG para iniciar o tratamento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo