Mola Hidatiforme Completa: Diagnóstico e Manejo Clínico

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024

Enunciado

Gestante, 41 anos, com sangramento vaginal desde as 8 semanas gestacionais. Agora com 10 semanas fez ultrassom que revelou: “múltiplos ecos anecogênicos dentro da massa da placenta, à semelhança de “queijo suíço. Há múltiplos cistos simples em ambos os ovários. Há ausência de embrião e de seus anexos”. Com relação a essa situação clínica, pergunta-se: qual alternativa, entre as abaixo relacionadas está INCORRETA?

Alternativas

  1. A) Uma alternativa de resolução do caso a ser oferecida à paciente será a histerectomia, caso não tenha mais o desejo de engravidar;
  2. B) Os níveis do beta-HCG são bastante reduzidos nesses casos, pois há “falência” ovular;
  3. C) À AMIU é o método de escolha para quem precisa preservar sua capacidade reprodutiva;
  4. D) Os cistos ovarianos deverão regredir após o tratamento da condição patológica básica da paciente.

Pérola Clínica

Mola hidatiforme completa: US 'queijo suíço', cistos teca-luteínicos, ausência embrião, beta-HCG MUITO elevado.

Resumo-Chave

A mola hidatiforme completa é caracterizada por sangramento vaginal no primeiro trimestre, ultrassom com padrão de 'tempestade de neve' ou 'queijo suíço', ausência de feto e anexos, e níveis de beta-HCG extremamente elevados. Os cistos teca-luteínicos são uma resposta ovariana a esses altos níveis hormonais.

Contexto Educacional

A mola hidatiforme é a forma mais comum de doença trofoblástica gestacional (DTG), caracterizada pela proliferação anormal do trofoblasto. A mola completa, como descrita no caso, resulta da fertilização de um óvulo sem material genético por um ou dois espermatozoides, levando a um cariótipo diploide de origem paterna. Clinicamente, manifesta-se com sangramento vaginal irregular no primeiro trimestre, útero maior que o esperado para a idade gestacional e hiperêmese gravídica, embora nem sempre presentes. O diagnóstico é feito pela combinação de níveis séricos de beta-HCG extremamente elevados e achados ultrassonográficos típicos, como a imagem de 'tempestade de neve' ou 'queijo suíço' na cavidade uterina, sem a presença de embrião ou saco gestacional viável. Os cistos teca-luteínicos ovarianos são uma resposta benigna à estimulação excessiva pelo HCG e regridem espontaneamente após o tratamento. O tratamento primário é o esvaziamento uterino, preferencialmente por aspiração a vácuo, para remover o tecido molar. Após o esvaziamento, é crucial o acompanhamento rigoroso dos níveis de beta-HCG para detectar e tratar precocemente a doença trofoblástica gestacional persistente, uma complicação que pode evoluir para coriocarcinoma. A histerectomia pode ser considerada em pacientes com prole completa que desejam reduzir o risco de malignidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados ultrassonográficos típicos da mola hidatiforme completa?

O ultrassom da mola hidatiforme completa revela uma massa intrauterina heterogênea com múltiplos espaços císticos anecogênicos, que dão o aspecto de 'tempestade de neve' ou 'queijo suíço'. Não há presença de feto ou saco gestacional normal, e cistos teca-luteínicos podem ser vistos nos ovários.

Por que os níveis de beta-HCG são tão elevados na mola hidatiforme?

Os níveis de beta-HCG são extremamente elevados na mola hidatiforme devido à proliferação anormal e excessiva do tecido trofoblástico, que é o produtor desse hormônio. Essa elevação é um marcador importante para o diagnóstico e acompanhamento da doença.

Qual o tratamento de escolha para a mola hidatiforme e suas opções?

O tratamento de escolha é o esvaziamento uterino por aspiração a vácuo (AMIU), que é menos invasivo e preserva a fertilidade. Em pacientes que não desejam mais engravidar, a histerectomia pode ser uma opção para reduzir o risco de doença trofoblástica gestacional persistente.

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