Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2019
Gestante de 12 semanas refere sangramento vaginal há uma hora. Ao exame, observa-se sangramento pelo orifício do colo, colo impérvio e útero aumentado quatro vezes. A ultrassonografia revela conteúdo heterogêneo com múltiplas imagens císticas ocupando toda cavidade uterina, sem visualização do embrião, ovários aumentados bilateralmente, com vários cistos anecoicos. A conduta é:
Mola hidatiforme: Útero > idade gestacional + sangramento + USG 'cacho de uvas' → Esvaziamento uterino por vácuo-aspiração.
A mola hidatiforme completa é caracterizada por útero desproporcionalmente grande para a idade gestacional, sangramento vaginal e achados ultrassonográficos típicos de vesículas císticas. A conduta imediata é o esvaziamento uterino por vácuo-aspiração.
A mola hidatiforme é a forma mais comum de Doença Trofoblástica Gestacional (DTG), caracterizada pela proliferação anormal do trofoblasto. A mola completa, como no caso descrito, é resultado da fertilização de um óvulo sem material genético por um ou dois espermatozoides, levando a um cariótipo diploide de origem paterna. É uma condição que exige diagnóstico e tratamento rápidos devido ao risco de complicações, incluindo a transformação em neoplasia trofoblástica gestacional maligna. Clinicamente, a mola hidatiforme completa manifesta-se tipicamente no primeiro trimestre com sangramento vaginal indolor, útero maior do que o esperado para a idade gestacional, hiperêmese gravídica severa e, ocasionalmente, sintomas de hipertireoidismo. A ultrassonografia transvaginal é o método diagnóstico de escolha, revelando uma massa intrauterina heterogênea com múltiplas áreas císticas (aspecto de 'cacho de uvas' ou 'tempestade de neve'), sem feto ou saco gestacional. A presença de cistos tecaluteínicos bilaterais nos ovários é um achado comum devido à estimulação excessiva pelo beta-hCG elevado. A conduta imediata para a mola hidatiforme completa é o esvaziamento uterino, sendo a vácuo-aspiração a técnica de escolha, por ser mais segura e eficaz que a curetagem. Após o esvaziamento, é imperativo o acompanhamento rigoroso com dosagens semanais de beta-hCG até a normalização e, posteriormente, mensais por um período de 6 a 12 meses, para detectar precocemente a persistência da doença ou o desenvolvimento de coriocarcinoma. A contracepção eficaz é recomendada durante o período de seguimento.
Os principais sinais incluem sangramento vaginal irregular no primeiro trimestre, útero desproporcionalmente grande para a idade gestacional, hiperêmese gravídica grave e, em casos mais raros, sintomas de hipertireoidismo ou pré-eclâmpsia precoce.
A ultrassonografia tipicamente revela uma cavidade uterina preenchida por material heterogêneo com múltiplas imagens císticas anecoicas, frequentemente descritas como 'tempestade de neve' ou 'cacho de uvas', sem visualização de embrião ou feto.
A conduta inicial e mais importante é o esvaziamento uterino, preferencialmente por vácuo-aspiração, para remover o tecido molar. Após o esvaziamento, é fundamental o acompanhamento com dosagens seriadas de beta-hCG para monitorar a regressão e detectar doença trofoblástica gestacional persistente.
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