Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
B.C.G., 36 anos, GII PI (1N) A0, idade gestacional de 11 semanas, sem comorbidades, deu entrada no pronto-socorro obstétrico com queixa de sangramento vaginal escuro, além de náuseas e vômitos. Ao exame especular: sangue escuro, coletado em fundo de saco posterior, em quantidade moderada. Toque vaginal bimanual: colo amolecido, impérvio, fundo uterino na altura da cicatriz umbilical. Abdome: dor à descompressão brusca negativa. Paciente sem exame de imagem prévio nesta gestação. Solicitado beta HCG quantitativo: 300.000 mUI/mL.De acordo com o caso, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável.
Mola hidatiforme: sangramento escuro + útero > IG + beta HCG muito alto + náuseas/vômitos intensos.
O quadro clínico de sangramento vaginal escuro, náuseas e vômitos intensos, e um fundo uterino maior que o esperado para a idade gestacional (11 semanas com fundo na cicatriz umbilical) associado a um beta HCG quantitativo extremamente elevado (300.000 mUI/mL) são achados clássicos da mola hidatiforme. Este diagnóstico deve ser sempre suspeitado nessas circunstâncias, exigindo confirmação por ultrassonografia.
A mola hidatiforme é a forma mais comum da doença trofoblástica gestacional (DTG), uma condição rara caracterizada pela proliferação anormal do trofoblasto. Sua incidência varia globalmente, sendo mais comum em algumas regiões da Ásia. É clinicamente importante devido ao risco de malignização para doença trofoblástica gestacional persistente ou coriocarcinoma, tornando o diagnóstico e manejo precoces essenciais para a saúde reprodutiva da mulher. O quadro clínico típico da mola hidatiforme, como o apresentado na questão, inclui sangramento vaginal no primeiro ou segundo trimestre, náuseas e vômitos exacerbados (devido aos altos níveis de beta HCG), e um útero maior do que o esperado para a idade gestacional. O beta HCG sérico, que é produzido pelo trofoblasto, atinge níveis desproporcionalmente elevados, muitas vezes acima de 100.000 mUI/mL. A ultrassonografia é o método diagnóstico de escolha, revelando a imagem característica de 'tempestade de neve' ou 'cacho de uvas' no útero. O tratamento primário para a mola hidatiforme é o esvaziamento uterino, preferencialmente por aspiração a vácuo. Após o esvaziamento, é mandatório o acompanhamento rigoroso com dosagens semanais de beta HCG até a normalização por três semanas consecutivas, e então mensalmente por seis a doze meses, dependendo do tipo de mola. Esse monitoramento é vital para detectar qualquer persistência da doença e iniciar o tratamento quimioterápico, se necessário, prevenindo complicações graves.
Os principais sinais e sintomas da mola hidatiforme incluem sangramento vaginal indolor, geralmente escuro, náuseas e vômitos intensos (hiperemese gravídica), útero maior que o esperado para a idade gestacional e níveis de beta HCG sérico anormalmente elevados.
O diagnóstico definitivo da mola hidatiforme é feito pela ultrassonografia pélvica, que revela uma imagem característica de 'tempestade de neve' ou 'cacho de uvas' no interior da cavidade uterina, sem a presença de feto ou embrião viável (na mola completa).
Após o diagnóstico, a conduta é o esvaziamento uterino, geralmente por aspiração manual intrauterina (AMIU) ou curetagem a vácuo. É crucial o acompanhamento pós-esvaziamento com dosagens seriadas de beta HCG para monitorar a regressão e detectar precocemente a doença trofoblástica gestacional persistente ou coriocarcinoma.
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