UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2020
Paciente, 29 anos, G2 P1 (1 Parto cesáreo), comparece a emergência com quadro de atraso menstrual de 3 meses, BHCG positivo e queixa de sangramento vaginal intermitente. Durante o exame especular, observou- se a eliminação de moderada quantidade de vesículas pelo orifício externo do colo uterino. Diante do provável diagnóstico, podemos esperar os seguintes achados clínicos associados ao quadro acima, EXCETO:
Mola hidatiforme → BHCG muito elevado, hiperêmese, útero grande para IG, cistos teca-luteínicos, hipertireoidismo. Hipotireoidismo é o EXCETO.
A mola hidatiforme é caracterizada por níveis extremamente elevados de BHCG, que podem levar a hiperestimulação da tireoide (causando hipertireoidismo) e dos ovários (formando cistos teca-luteínicos). A hiperêmese gravídica e o útero maior que o esperado para a idade gestacional também são achados comuns, enquanto o hipotireoidismo não é uma complicação direta esperada.
A mola hidatiforme é a forma mais comum da doença trofoblástica gestacional, caracterizada por uma proliferação anormal do trofoblasto. Sua incidência varia globalmente, sendo mais comum na Ásia. É crucial o diagnóstico precoce devido ao risco de malignização para doença trofoblástica gestacional persistente ou coriocarcinoma. A suspeita clínica surge com sangramento vaginal no primeiro trimestre, útero desproporcionalmente grande para a idade gestacional e hiperêmese gravídica severa. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia, que revela uma massa intrauterina heterogênea com múltiplas áreas císticas (aspecto de 'tempestade de neve'), e níveis séricos de BHCG marcadamente elevados. A fisiopatologia envolve a fertilização anormal de um óvulo, resultando em um cariótipo diploide de origem paterna. As complicações incluem hipertireoidismo (pela ação do BHCG nos receptores de TSH), cistos teca-luteínicos (pela hiperestimulação ovariana) e pré-eclâmpsia precoce. O tratamento principal é a evacuação uterina por aspiração a vácuo ou curetagem. O acompanhamento pós-evacuação é essencial, com dosagens semanais de BHCG até a normalização e, posteriormente, mensais por seis a doze meses para monitorar a regressão e detectar doença persistente. A contracepção é recomendada durante o período de acompanhamento para evitar nova gestação que dificultaria a interpretação dos níveis de BHCG.
Os sinais e sintomas comuns incluem sangramento vaginal intermitente, atraso menstrual, útero maior que o esperado para a idade gestacional, hiperêmese gravídica severa e, em alguns casos, eliminação de vesículas pela vagina.
A mola hidatiforme produz níveis muito elevados de gonadotrofina coriônica humana (BHCG). O BHCG possui uma subunidade alfa que é estruturalmente semelhante à do TSH, podendo estimular os receptores de TSH na tireoide e levar a um quadro de hipertireoidismo transitório.
Os cistos teca-luteínicos são cistos ovarianos benignos que se desenvolvem devido à hiperestimulação ovariana pelos altos níveis de BHCG. Eles geralmente regridem espontaneamente após a evacuação da mola.
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