Mola Hidatiforme: Diagnóstico e Conduta Essencial

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Gestante de 35 anos, 10 semanas de gestação com antecedente de abortamento anterior há 2 anos, apresenta sangramento vaginal há 12 horas. Ao exame especular é visualizado sangramento pelo orifício externo do colo uterino. Ao toque vaginal, o colo está impérvio e o útero aumentado para 16 semanas. Realizado beta HCG qualitativo com resultado positivo e ultrassonografia transvaginal que descreve imagens intrauterinas de flocos de neve e cistos ovarianos tecaluteínicos bilateralmente. Diante do quadro, assinale a alternativa com a conduta a ser tomada nesse momento.

Alternativas

  1. A) Internar, solicitar hemograma, coagulograma, eletrólitos e tipagem sanguínea e preparar para histerectomia abdominal.
  2. B) Internar, solicitar hemograma, tipagem sanguínea, betaHCG quantitativo e instalar infusão endovenosa de ocitocina para dilatação do colo uterino e esvaziamento.
  3. C) Internar, solicitar hemograma, tipagem sanguínea, betaHCG quantitativo e realizar o esvaziamento do conteúdo intrauterino preferencialmente por aspiração manual intrauterina.
  4. D) Internar, solicitar hemograma, tipagem sanguínea e beta HCG quantitativo seriado e aguardar resolução espontânea do quadro.

Pérola Clínica

Mola hidatiforme = útero > IG + sangramento + β-hCG ↑↑ + USG "flocos de neve" + cistos tecaluteínicos.

Resumo-Chave

O quadro clínico e ultrassonográfico (útero maior que a idade gestacional, sangramento, β-hCG muito elevado, imagem de 'flocos de neve' e cistos tecaluteínicos) é altamente sugestivo de mola hidatiforme, cuja conduta principal é o esvaziamento uterino.

Contexto Educacional

A mola hidatiforme é a forma mais comum de doença trofoblástica gestacional (DTG), caracterizada pela proliferação anormal do trofoblasto. Pode ser completa ou parcial. Clinicamente, manifesta-se com sangramento vaginal no primeiro ou segundo trimestre, útero maior que o esperado para a idade gestacional, níveis de β-hCG extremamente elevados e, por vezes, hiperêmese gravídica e tireotoxicose. O diagnóstico é confirmado pela ultrassonografia, que revela uma massa intrauterina com múltiplos cistos anecoicos, conferindo o aspecto de "flocos de neve" ou "cacho de uvas", e a ausência de feto viável na mola completa. Cistos tecaluteínicos bilaterais nos ovários são achados comuns devido à estimulação excessiva pelo β-hCG. A conduta principal é o esvaziamento uterino, preferencialmente por aspiração manual intrauterina (AMIU) ou vácuo-aspiração, para remover o tecido molar e prevenir complicações como hemorragia e o desenvolvimento de doença trofoblástica gestacional persistente ou coriocarcinoma. Após o esvaziamento, é crucial o acompanhamento rigoroso dos níveis séricos de β-hCG para detectar e tratar precocemente qualquer persistência da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos e ultrassonográficos da mola hidatiforme?

Clinicamente, pode haver sangramento vaginal, útero maior que a idade gestacional, hiperêmese e níveis de β-hCG muito elevados. Na ultrassonografia, observa-se imagem de "flocos de neve" ou "cacho de uvas" e cistos tecaluteínicos ovarianos.

Qual a conduta inicial para o diagnóstico de mola hidatiforme?

A conduta inicial é a internação, estabilização da paciente, solicitação de exames pré-operatórios (hemograma, tipagem sanguínea, β-hCG quantitativo) e o esvaziamento uterino, preferencialmente por aspiração manual intrauterina (AMIU) ou vácuo-aspiração.

Por que a histerectomia não é a primeira opção para mola hidatiforme?

A histerectomia é reservada para casos selecionados, como mulheres com prole completa que desejam contracepção definitiva ou em casos de doença trofoblástica gestacional persistente de alto risco. O esvaziamento uterino é o tratamento de primeira linha para a mola hidatiforme.

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