Mola Hidatiforme: Seguimento e Contracepção Pós-Molar

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2024

Enunciado

K.S.M., 20 anos, primigesta, vem ao pronto-socorro obstétrico com queixa de sangramento vaginal escuro, náuseas e vômitos, tontura e cefaléia fronto occipital. Realizado teste de gravidez positivo. Refere história de amenorreia de 3 meses anteriormente ao sangramento atual. Ao exame físico: volume uterino aumentado, com AU 20 cm, PA 160 x 110 mmHg, FC 85 bpm. Ultrassom transvaginal demonstra volume uterino de 400cc, eco endometrial heterogêneo, com espessura de 60 mm, com imagens císticas, anecogênicas de permeio. Não identificado embrião. Ovários com cistos teca-luteínicos.Dando prosseguimento ao atendimento, assinale a alternativa que representa orientação adequada de seguimento da paciente.

Alternativas

  1. A) Iniciar o seguimento pós-molar somente após o resultado anátomo patológico confirmar a doença.
  2. B) Repetir ultrassom 7 dias após o procedimento cirúrgico, a fim de avaliar a existência de resquícios da doença.
  3. C) Realizar o acompanhamento com dosagens mensais de hCG para detectar a ocorrência de neoplasia trofoblástica gestacional (NTG).
  4. D) Realizar contracepção hormonal rigorosa, uma vez que a pílula anticoncepcional não aumenta o risco de progressão para NTG.
  5. E) Rotina ginecológica anual.

Pérola Clínica

Mola hidatiforme → Esvaziamento + hCG semanal + Contracepção rigorosa (ACO é seguro).

Resumo-Chave

O seguimento pós-molar visa a detecção precoce de malignização. A contracepção hormonal é fundamental para não confundir uma nova gravidez com a persistência da doença.

Contexto Educacional

A mola hidatiforme é a forma benigna da Doença Trofoblástica Gestacional, caracterizada por edema das vilosidades coriônicas e proliferação trofoblástica. Clinicamente, manifesta-se com sangramento, útero maior que a idade gestacional, hiperêmese e, em casos graves, pré-eclâmpsia precoce. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia (aspecto em 'tempestade de neve') e níveis de hCG desproporcionalmente altos. O tratamento padrão é o esvaziamento uterino por vácuo-aspiração. O seguimento rigoroso é o que define o prognóstico, visando identificar precocemente a Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG). A escolha do método contraceptivo é um ponto frequente de dúvida; evidências atuais mostram que os anticoncepcionais orais são seguros e não aumentam a incidência de NTG pós-molar.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do hCG no seguimento pós-molar?

O hCG é o marcador tumoral fundamental na Doença Trofoblástica Gestacional. Após o esvaziamento uterino, deve ser dosado semanalmente até que ocorram três resultados negativos consecutivos. Após a negativação, o acompanhamento torna-se mensal por 6 meses na mola completa. Um platô ou elevação dos níveis de hCG sugere fortemente a evolução para Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG), exigindo estadiamento e quimioterapia.

Por que a contracepção é obrigatória no seguimento?

A contracepção rigorosa é essencial porque uma nova gravidez elevaria os níveis de hCG, tornando impossível distinguir entre uma gestação fisiológica e a persistência ou malignização da doença trofoblástica (NTG). O método preferencial costuma ser o anticoncepcional hormonal combinado, que é seguro e eficaz. O DIU deve ser evitado até a negativação do hCG pelo risco de perfuração uterina e infecção.

O que são os cistos teca-luteínicos na mola?

São cistos ovarianos multiloculados e bilaterais resultantes da hiperestimulação dos ovários pelos níveis massivos de hCG produzidos pelo tecido trofoblástico. Eles costumam regredir espontaneamente após o esvaziamento uterino e a queda dos níveis de hCG, não necessitando de intervenção cirúrgica primária, a menos que ocorra torção ou ruptura com quadro de abdome agudo.

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