Mola Hidatiforme: Manejo da Pré-eclâmpsia e Seguimento

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021

Enunciado

B.M.V., 20 anos, deu entrada no PSGO com quadro de sangramento vaginal, náuseas e vômitos, emagrecimento e cefaleia occipital. Apresentou beta HCG qualitativo positivo. Ao EF: volume abdominal aumentado, PA 170 x 110 mmHg, FC: 90 bpm e obnubilação de consciência. A ultrassonografia pélvica achou o ilustrado na figura a seguir. Diante da suspeita referida, indique a primeira conduta para a paciente do caso clínico, a melhor técnica cirúrgica para a resolução do caso e a orientação correta para o seguimento da doença, respectivamente.

Alternativas

  1. A) Prescrever soro fisiológico; histerectomia; iniciar o segmento pós-molar após o resultado do AP.
  2. B) Prescrever antieméticos; administração de misoprostol; repetir o USG 7 dias após, para avaliar a existência de restos molares.
  3. C) Prescrever metildopa; curetagem; realizar o acompanhamento com dosagens mensais de beta HCG, para detectar a presença de NTG.
  4. D) Prescrever sulfato de magnésio; AMIU; realizar a contracepção hormonal rigorosa e acompanhar o beta HCG semanal.
  5. E) Prescrever hidralazina; administração de dinoprostona; repetir USG 3 dias após, para avaliar a existência de restos molares.

Pérola Clínica

Mola hidatiforme com pré-eclâmpsia grave → Sulfato de magnésio + AMIU + Contracepção rigorosa + Beta HCG semanal.

Resumo-Chave

A mola hidatiforme pode cursar com pré-eclâmpsia grave, necessitando de manejo imediato da hipertensão e prevenção de convulsões com sulfato de magnésio. O esvaziamento uterino por AMIU é a técnica preferencial, e o seguimento com beta HCG semanal e contracepção rigorosa é crucial para detectar doença trofoblástica gestacional persistente.

Contexto Educacional

A mola hidatiforme é a forma mais comum de doença trofoblástica gestacional, caracterizada por proliferação anormal do trofoblasto. Sua incidência varia globalmente, sendo mais comum na Ásia. É crucial reconhecer suas manifestações clínicas, que podem simular uma gestação normal, mas frequentemente incluem sangramento vaginal, útero maior que o esperado para a idade gestacional e níveis elevados de beta HCG. Complicações como pré-eclâmpsia grave (mesmo em idades gestacionais precoces), hipertireoidismo e embolia trofoblástica são possíveis. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia, que revela a imagem clássica em "cacho de uvas" ou "tempestade de neve". A suspeita clínica exige estabilização da paciente, especialmente se houver hipertensão grave ou sinais de pré-eclâmpsia. O tratamento de escolha é o esvaziamento uterino, preferencialmente por aspiração manual intrauterina (AMIU) ou vácuo-aspiração, que minimiza o risco de perfuração e embolia. A histerectomia é reservada para casos selecionados. O seguimento pós-molar é rigoroso, com dosagens semanais de beta HCG até a normalização e, posteriormente, mensais por 6-12 meses, associado a contracepção eficaz para detectar doença trofoblástica gestacional persistente.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial em mola hidatiforme com pré-eclâmpsia grave?

A conduta inicial envolve a estabilização da paciente, com administração de sulfato de magnésio para prevenção de convulsões e controle da pressão arterial. O esvaziamento uterino deve ser realizado após a estabilização.

Qual a melhor técnica cirúrgica para esvaziamento uterino em mola hidatiforme?

A aspiração manual intrauterina (AMIU) ou a vácuo-aspiração são as técnicas cirúrgicas preferenciais para o esvaziamento uterino em casos de mola hidatiforme, devido à sua eficácia e menor risco de complicações.

Como é feito o seguimento após o tratamento de mola hidatiforme?

O seguimento pós-molar inclui dosagens semanais de beta HCG até a normalização, seguidas por dosagens mensais por 6 a 12 meses. É crucial manter contracepção rigorosa durante todo o período de acompanhamento para detectar doença trofoblástica gestacional persistente.

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