Relação Médico-Paciente: Do Paternalismo à Decisão Partilhada

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

A vulnerabilidade da doença e da lesão, a impacto potencial das intervenções e a inerente disparidade de poder da relaçăo médico-paciente impõem a atençăo plena aos princípios morais de alguém na prática da medicina. Em relação a este tema, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.I) O modelo de relação médico paciente denominado “paternalista” é o modelo atuałmente mais adequado e utilizado nas situações clínicas e terapêuticas quando o consentimento do doente é necessário,PORTANTOII) a explicação das opções de tratamento, seus potenciais benefícios e a exploração dos vaIores, preferências e objetivos do paciente devem ser Ievados em consideração pelo médico em conjunto com o doente.Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) As duas assertivas são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira.
  2. B) As duas assertivas são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justifìcativa correta da primeira.
  3. C) A primeira assertiva é uma proposição verdadeira, e a segunda é falsa.
  4. D) A primeira assertiva é uma proposição falsa, e a segunda é verdadeira.
  5. E) As duas assertlvas são proposições falsas.

Pérola Clínica

Modelo paternalista (médico decide) é ultrapassado; o ideal é o modelo deliberativo (decisão compartilhada).

Resumo-Chave

A primeira assertiva é falsa porque o modelo paternalista, que ignora a autonomia do paciente, não é mais o padrão ético recomendado. A segunda assertiva é verdadeira, pois descreve a essência do modelo de tomada de decisão compartilhada, o padrão-ouro atual, que respeita os valores e preferências do paciente.

Contexto Educacional

A relação médico-paciente é um pilar da prática médica e evoluiu significativamente ao longo do tempo. Historicamente dominado pelo modelo paternalista, onde o médico tomava todas as decisões com base no princípio da beneficência ('o médico sabe o que é melhor'), o paradigma atual mudou para um enfoque centrado no paciente, que valoriza sua autonomia. Existem quatro modelos principais que descrevem essa relação. O modelo paternalista, hoje considerado ultrapassado, subestima a capacidade do paciente de participar das decisões sobre sua própria saúde. Em contraste, o modelo informativo posiciona o médico como um mero fornecedor de informações técnicas, deixando a decisão inteiramente para o paciente. Os modelos mais recomendados são o interpretativo, no qual o médico atua como um conselheiro, ajudando o paciente a entender seus próprios valores, e o deliberativo (ou de decisão compartilhada), que é o padrão-ouro. Neste último, médico e paciente dialogam, trocam informações e valores, e chegam a uma decisão conjunta. A transição para o modelo deliberativo reflete uma maior ênfase no princípio da autonomia do paciente, consagrado no processo de consentimento informado. A prática médica ética moderna exige que o médico não apenas informe, mas também explore as preferências e objetivos do paciente, garantindo que o tratamento escolhido esteja alinhado com o que é mais importante para ele como indivíduo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais modelos de relação médico-paciente?

Os quatro modelos clássicos são: 1) Paternalista (o médico decide o que é melhor); 2) Informativo (o médico fornece os fatos e o paciente decide sozinho); 3) Interpretativo (o médico ajuda a elucidar os valores do paciente para guiar a decisão); 4) Deliberativo (médico e paciente deliberam juntos para chegar à melhor decisão), sendo este último o mais recomendado atualmente.

Por que o modelo paternalista é considerado inadequado hoje?

O modelo paternalista é inadequado porque viola o princípio ético da autonomia do paciente. Ele presume que o médico sabe o que é melhor para o paciente sem considerar seus valores, crenças e objetivos de vida, o que é incompatível com a prática médica moderna centrada no paciente.

Como aplicar o modelo deliberativo na prática diária?

A aplicação envolve apresentar todas as opções de tratamento com riscos e benefícios de forma clara, explorar ativamente os valores e preferências do paciente ('O que é mais importante para você nesta situação?'), e construir um plano terapêutico em conjunto, garantindo que o paciente compreendeu e consentiu de forma informada.

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