Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
O modelo hegemônico de atenção à saúde no Brasil, antes da reforma sanitária, era marcado por forte ênfase curativa e assistência individual hospitalar, com prioridade ao tratamento de doenças já estabelecidas. Quando um município decide reorganizar sua rede de atenção básica para concentrar-se em promoção, prevenção e vigilância, essa mudança reflete a transição entre o modelo histórico de atenção à saúde:
Pré-SUS = Modelo Previdenciário/Curativo; Pós-SUS = Modelo de Atenção Integral/Primária.
A transição reflete a mudança de um sistema excludente e focado na doença (INAMPS) para um sistema universal focado na promoção e prevenção (SUS).
A história das políticas de saúde no Brasil é marcada pela coexistência e sucessão de diferentes modelos. No início do século XX, predominava o modelo sanitarista campanhista, focado no controle de endemias e epidemias que ameaçavam o comércio exterior. Com a industrialização, surgiu o modelo previdenciário (CAPs, IAPs e depois INPS/INAMPS), que vinculava a saúde ao trabalho formal, criando uma divisão entre os 'segurados' e os 'indigentes' (aqueles sem carteira assinada, atendidos por caridade ou serviços precários). A transição mencionada na questão refere-se à superação desse modelo assistencialista-previdenciário, que era fragmentado e focado na cura, para o modelo de Atenção Primária à Saúde, fundamentado nos princípios do SUS: universalidade, equidade e integralidade. Esta mudança exige uma reorganização da rede, onde a Unidade Básica de Saúde assume o papel de resolver a maioria dos problemas de saúde da população e gerenciar o fluxo para os níveis de maior complexidade, garantindo a eficiência do sistema.
O modelo assistencialista-previdenciário, que predominou no Brasil até a criação do SUS, era gerido principalmente pelo INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social). Sua principal característica era o acesso restrito: apenas trabalhadores com carteira assinada e seus dependentes tinham direito à assistência médica. O foco era curativo, hospitalocêntrico e centrado na figura do médico, com pouca ou nenhuma ênfase em ações de promoção da saúde ou prevenção de doenças na comunidade.
A Reforma Sanitária Brasileira, consolidada na 8ª Conferência Nacional de Saúde em 1986, foi um movimento social e político que defendeu a saúde como um direito de todos e dever do Estado. Ela propôs a superação do modelo previdenciário excludente em favor de um sistema único, descentralizado e universal. Essa mudança de paradigma permitiu que o foco deixasse de ser apenas o tratamento da doença no hospital e passasse a ser a saúde integral do indivíduo inserido em seu contexto social.
A APS atua como a porta de entrada preferencial e o centro ordenador da rede de atenção. Ao focar em promoção, prevenção e vigilância, ela busca intervir nos determinantes sociais da saúde antes que a doença se instale ou se complique. Diferente do modelo anterior, a APS utiliza equipes multiprofissionais (como na Estratégia Saúde da Família) para oferecer cuidado longitudinal, coordenado e próximo ao território do paciente, reduzindo a dependência excessiva de tecnologias hospitalares de alto custo.
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