HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024
Homem de 53 anos de idade, em acompanhamento na Unidade Básica de Saúde, apresentou, em três consultas seguidas, valores de pressão arterial de 160x100mmHg. Tem 1,70m de altura e peso de 92kg. O paciente é sedentário, tem uma dieta rica em carboidratos, alimentos processados e rica em sódio. Ingere álcool cerca de 4 a 5 vezes por semana, cerca de 5 latinhas de cerveja ou 2 doses de cachaça. Dorme mal à noite, tem diversos roncos relatados pela esposa, além de acordar com a sensação de ter dormido menos do que deveria. Sua mãe e seu irmão mais velho têm antecedentes de HAS, ambos com diagnóstico por volta dos 45 anos de idade. Quando abordado sobre o consumo de álcool, o paciente afirmou ter consciência dos problemas que o álcool traz em sua vida, percebe que faz uso excessivo e frequente, pensa em mudar, mas acredita que os custos de mudar esse comportamento de ingestão alcoólica são maiores que os benefícios da mudança. Considerando o relato, qual é a classificação do estágio motivacional para mudança de hábito desse paciente e qual é a conduta no momento?
Contemplação = Reconhece o problema + Ambivalência (prós vs contras) → Conduta: Resolver ambivalência.
No estágio de contemplação, o paciente reconhece que tem um problema, mas está indeciso sobre a mudança; a intervenção foca em fortalecer a motivação e pesar benefícios.
O Modelo Transteórico de Prochaska e DiClemente é uma ferramenta fundamental na medicina preventiva e no manejo de doenças crônicas e dependências. Ele reconhece que a mudança de comportamento não é um evento único, mas um processo cíclico composto por cinco estágios: pré-contemplação, contemplação, preparação, ação e manutenção. Identificar corretamente o estágio motivacional permite que o médico ajuste sua linguagem e intervenção. No caso clínico apresentado, o paciente demonstra claramente a ambivalência típica da contemplação ('pensa em mudar, mas acredita que os custos são maiores que os benefícios'). Intervenções mal cronometradas são uma causa comum de falha terapêutica na atenção primária.
O estágio de contemplação é caracterizado pelo reconhecimento do paciente de que um comportamento específico (como o uso excessivo de álcool) é problemático. O paciente considera mudar nos próximos seis meses, mas apresenta uma forte ambivalência: ele percebe os benefícios da mudança, mas os custos (esforço, perda do prazer, mudança de rotina) ainda parecem pesados demais. Ele está 'preso' entre o desejo de mudar e a resistência em abandonar o hábito atual.
Na pré-contemplação, o paciente não reconhece o comportamento como um problema e não tem intenção de mudar (está 'em negação' ou desinformado). Na contemplação, o paciente já admite que há um problema e pensa em mudar, mas ainda não se comprometeu com uma ação concreta. A transição ocorre quando a percepção de risco ou prejuízo aumenta, levando o indivíduo a considerar a possibilidade de uma vida sem o comportamento nocivo.
A conduta deve focar na resolução da ambivalência. O médico deve utilizar a 'balança decisória', ajudando o paciente a listar os prós e contras de manter o comportamento versus mudar. O objetivo não é dar soluções prontas, mas sim evocar as próprias razões do paciente para a mudança, fortalecendo sua autoeficácia e ajudando-o a visualizar os benefícios a longo prazo, movendo-o para o estágio de preparação.
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