INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025
Um casal consulta com o médico de família e comunidade devido à preocupação da esposa com marido, que tem demonstrado compulsividade relacionada ao consumo de pornografia. Isso tem gerado discussões constantes entre eles, pois o homem é motorista por aplicativo e está deixando de trabalhar devido a este padrão de comportamento — o que tem impactado na situação financeira da família, que já é difícil. Ele relata que a prática começou como distração e alívio do estresse, mas admite que tem dificuldades para controlar esses comportamentos e reconhece as consequências que isso tem g erado para seu contexto familiar. Durante a consulta, o médico identifica sinais de baixa autoestima e de ansiedade nesse paciente. Diante desse relato, qual é o grau de motivação do paciente para a mudança de comportamento?
Reconhece o problema + Ambivalência (quer mudar mas hesita) = Estágio de Contemplação.
No estágio de contemplação, o paciente admite a existência do problema e considera a mudança, mas permanece ambivalente devido ao apego ao comportamento atual.
O Modelo Transteórico de Prochaska e DiClemente é fundamental para a abordagem de dependências e mudanças de estilo de vida na Atenção Primária. Ele descreve a mudança como um processo cíclico em estágios: Pré-contemplação, Contemplação, Preparação, Ação e Manutenção. Identificar o estágio correto permite que o médico utilize a técnica de Entrevista Motivacional adequada para cada momento. No caso clínico apresentado, o paciente admite o problema e reconhece as consequências negativas, mas ainda utiliza o comportamento como 'alívio do estresse', o que configura a ambivalência típica da Contemplação. O objetivo terapêutico nesse estágio não é dar soluções prontas, mas sim ajudar o paciente a 'pender a balança' decisória em favor da mudança, explorando suas próprias motivações internas.
Na pré-contemplação, o indivíduo não reconhece que seu comportamento é um problema ou não tem intenção de mudar em um futuro próximo. Ele pode estar na defensiva ou racionalizar o comportamento, muitas vezes comparecendo à consulta por pressão de terceiros (família ou justiça).
A marca registrada da contemplação é a ambivalência. O paciente reconhece os danos do comportamento (ex: prejuízo financeiro e familiar) e considera a mudança, mas ao mesmo tempo sente falta dos 'benefícios' do hábito (ex: alívio do estresse). Ele está 'pensando sobre' a mudança, mas ainda não se comprometeu com um plano de ação.
No estágio de preparação (ou determinação), o paciente já decidiu mudar e começa a fazer pequenos movimentos ou planos para isso. O papel do médico aqui é ajudar a escolher estratégias concretas, definir uma data para o início da mudança e identificar possíveis obstáculos, fortalecendo a autoeficácia do paciente.
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